Saiba o que faz um paisagista, como é sua formação, principais funções e importância para criar espaços verdes harmoniosos e sustentáveis
Publicado em 30 de set. de 2025, 6:18

Sítio Roberto Burle Marx, na Barra de Guaratiba. (Leo Martins/Agência O Globo)
O paisagista é o profissional responsável por projetar, planejar e transformar espaços abertos — sejam eles públicos ou privados — em ambientes funcionais, esteticamente agradáveis e sustentáveis. Seu trabalho vai muito além de “plantar árvores”: ele envolve conhecimentos técnicos, artísticos e ecológicos para criar áreas verdes que melhoram a qualidade de vida das pessoas.
Nos últimos anos, o paisagismo ganhou ainda mais relevância por seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas, contribuindo para cidades mais resilientes e integradas à natureza.
Sanya Mangrove Park, em Hainan, é um dos projetos de Kongjian Yu que exemplifica o conceito de cidade-esponja, restaurando ecossistemas costeiros e protegendo a cidade contra enchentes. (Turenscape/Divulgação)
Um paisagista é o especialista que atua na concepção e no desenvolvimento de projetos de áreas externas, como jardins, praças, parques, pátios e varandas.
Seu objetivo é integrar vegetação, mobiliário, circulação e infraestrutura, criando espaços que dialogam com o entorno e atendem às necessidades do usuário. Ele é um mediador entre natureza e sociedade, propondo soluções que conciliam beleza, conforto e sustentabilidade.
Jardim do Palácio Capanema, projetado por Roberto Burle Marx, junto ao grupo liderado por Le Corbusier. (Divulgação/CASACOR)
A formação de um paisagista pode variar: no Brasil, é comum que arquitetos e urbanistas se especializem em paisagismo, mas também existem cursos técnicos e graduações específicas na área.
Durante a formação, o profissional aprende sobre botânica, ecologia, desenho técnico, topografia, irrigação, drenagem e softwares de modelagem 3D. Além disso, desenvolve olhar crítico para compreender o impacto ambiental de cada intervenção e as necessidades sociais dos espaços que projeta.
Casa Cavanellas: arquitetura de Oscar Niemeyer e paisagismo de Roberto Burle Marx ((Reprodução/Malcon Ragget))
Antes de iniciar qualquer projeto, o paisagista faz o levantamento do local, avalia o clima, o tipo de solo, a topografia e os elementos existentes. Esse estudo é fundamental para garantir que o projeto seja viável e sustentável.
Jardim de 6 mil m² ganha paisagismo repleto de espécies da Mata Atlântica. Projeto de Flávia D'Urso, (Fávaro Jr/Divulgação)
Com base na análise, o profissional desenvolve o conceito criativo, definindo o estilo do jardim, a disposição dos caminhos, áreas de convivência e o uso da vegetação. Essa etapa combina sensibilidade estética e conhecimento técnico.
O paisagista escolhe plantas adequadas ao clima e às condições de luz, priorizando espécies de baixa manutenção e que criem harmonia visual. Também define pisos, mobiliário e elementos complementares, como espelhos d’água e pergolados.
Instituto Inhotim é considerado o maior museu a céu aberto do mundo, com paisagismo idealizado por Pedro Nehring, (Patrick Arley/Divulgação)
Depois de aprovado o projeto, o paisagista acompanha a obra para garantir que tudo seja executado conforme o planejado. Essa supervisão é essencial para evitar erros que comprometam o resultado final.
O trabalho não termina com a entrega: o paisagista também pode orientar sobre a manutenção das plantas, podas e adubações. Muitos projetos têm caráter evolutivo, mudando ao longo das estações e dos anos.
Roberto Burle Marx (1909-1994). (Luiz Knud Correia de Araújo/Divulgação)
Considerado um dos maiores nomes do paisagismo mundial, Burle Marx é conhecido pelo uso de formas orgânicas e plantas nativas. Seus projetos, como o calçadão de Copacabana e os jardins do Palácio da Alvorada, são ícones da arquitetura moderna brasileira.
Pioneira do paisagismo urbano no Brasil, Rosa Kliass trabalhou em importantes projetos de parques públicos, como o Parque da Juventude em São Paulo. Seu trabalho alia funcionalidade, lazer e regeneração de áreas degradadas.
Projeto paisagístico por Isabel Duprat. (Fernando Guerra/CASACOR)
Paisagista de renome internacional, Isabel Duprat desenvolveu projetos de grande escala, como os jardins da Cidade Administrativa de Minas Gerais, de Oscar Niemeyer. Seu trabalho valoriza a integração entre arquitetura e natureza.
Referência no paisagismo contemporâneo, Benedito Abbud é reconhecido por projetos que equilibram estética, conforto e sustentabilidade. Seus jardins têm forte apelo sensorial e valorizam o uso de água e iluminação para criar atmosferas únicas.
Central Park, paisagismo por Frederick Law Olmsted. (Reprodução/CASACOR)
Conhecido como o pai do paisagismo moderno, Frederick Law Olmsted foi responsável pelo projeto do Central Park, em Nova York. Seu trabalho introduziu a ideia de parques públicos como espaços democráticos para lazer e convivência.
Dr. Do Mato Soluções em Paisagismo - Jardim: Raízes do Tempo. Inspirado pela ideia de que toda criação carrega as marcas do tempo, o jardim mescla espécies nativas e ornamentais, formas orgânicas e linhas precisas, em um diálogo entre memória e inovação. Troncos, pedras e folhagens esculturais evocam a passagem dos anos, enquanto as práticas sustentáveis nele aplicadas reforçam o compromisso com o amanhã. Um projeto de paisagismo para contemplar o tempo e a natureza. (Studio 2pontoZero/CASACOR)
O paisagismo vai muito além da estética: ele é uma ferramenta estratégica para melhorar a qualidade de vida e promover sustentabilidade. Ao incluir áreas verdes em espaços urbanos, o paisagista ajuda a reduzir as ilhas de calor, refrescando o microclima e tornando o ambiente mais confortável. Também aumenta a permeabilidade do solo, favorecendo a absorção da água da chuva e reduzindo alagamentos.
Marina Pimentel Paisagismo - Espaço Pousar. Entre o plantar e o florescer há um tempo invisível: o tempo do cuidado silencioso. Inspirado por essa pausa fértil, o espaço assinado por Marina Pimentel propõe um respiro sensorial e simbólico em meio à natureza. Com 500m², o ambiente valoriza espécies nativas e elementos naturais. Mais que contemplativo, o espaço carrega um gesto social, distribuindo sementes com nomes de crianças do AME Pequeninos. Palavras gravadas em pedras e música instrumental embalam a experiência da pausa como forma de habitar. (Edgard Cesar/CASACOR)
Em paralelo, promove a biodiversidade ao atrair pássaros, abelhas e outros polinizadores, o que contribui para a regeneração dos ecossistemas locais. Em ambientes privados, como casas e condomínios, um bom projeto paisagístico valoriza o imóvel, cria espaços de lazer para os moradores e melhora a experiência de quem utiliza o espaço diariamente.
Terra Verde Paisagismo - Jardim das Árvores. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
Outro aspecto importante é o impacto social e emocional do paisagismo. Áreas verdes bem planejadas estimulam o convívio, incentivam práticas de lazer e esporte, e fortalecem o senso de comunidade. Há estudos que indicam que o contato frequente com a natureza reduz o estresse, melhora o humor e até aumenta a produtividade em ambientes corporativos.
Felipe Fontes - Jardim das Taquaras. Com conceito naturalista, o jardim propõe uma atmosfera moderna e afetiva. Valorizando formações naturais, ele gera valor por seu contraste com as construções ao redor, semeando contato com a natureza. Bambus, capins, samambaias e a composição de folhagens diversas oferecem uma estética rica em texturas, formando um ambiente contemporâneo, leve e tropical. (Jomar Bragança/CASACOR)
Em estabelecimentos comerciais, jardins e fachadas arborizadas criam experiências mais agradáveis, atraindo clientes e fortalecendo a identidade da marca. Assim, o paisagismo é um investimento que alia beleza, funcionalidade e bem-estar, transformando cidades em lugares mais saudáveis e humanos.
Alex Hanazaki - Praça Eliane. Projeto da CASACOR São Paulo 2016. (Yuri Seródio/CASACOR)
Para atuar como paisagista, é preciso reunir um conjunto multidisciplinar de conhecimentos que vão além da sensibilidade estética. O profissional precisa dominar botânica, solos, irrigação, drenagem e entender as condições climáticas de cada região para escolher as espécies adequadas.
Elkis+ Paisagismo - Jardim Tropical. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Carolina Mossin/CASACOR)
Também é necessário conhecer princípios de ecologia e sustentabilidade, garantindo que o projeto não apenas seja bonito, mas também funcional e de baixo impacto ambiental. Além disso, é essencial ter domínio de desenho técnico e ferramentas de modelagem digital para apresentar o projeto de forma clara e detalhada aos clientes.
Gil Fialho Paisagismo - Jardim Funcional Peugeot. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (Carolina Mossin/CASACOR)
Outro ponto importante é a capacidade de gestão. O paisagista frequentemente coordena equipes de jardineiros, fornecedores e outros profissionais, acompanha cronogramas e controla orçamentos para que tudo seja executado de acordo com o planejado. Ter visão estratégica, boa comunicação e criatividade para solucionar imprevistos é indispensável. Assim, o paisagista alia conhecimento técnico, sensibilidade artística e habilidade de liderança para transformar espaços em ambientes que unem estética, conforto e sustentabilidade.
((Divulgação/Julio Ono)/CASACOR)
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.