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O que é amortização no financiamento imobiliário?

Descubra como a amortização no financiamento imobiliário pode reduzir a dívida e garantir economia ao quitar seu imóvel mais rápido

Por CASACOR Publisher

Publicado em 19 de dez. de 2025, 11:30

08 min de leitura
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jakub-zerdzicki-heiYgqp0Tsk-unsplash (Jakub Zerdzicki/Unsplash/Divulgação)

Comprar a casa própria é o sonho de milhões de brasileiros, mas o caminho até a escritura definitiva geralmente passa por um contrato de longo prazo com uma instituição financeira. No meio de tantas siglas, taxas e termos técnicos, um conceito se destaca como o mais fundamental para quem deseja quitar o imóvel: a amortização no financiamento imobiliário. Diferente do que muitos pensam, a prestação mensal que você paga não serve apenas para "abater" o valor da casa; ela é composta por diferentes fatias, e entender como cada uma funciona é a chave para economizar milhares de reais.

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(Jakub Zerdzicki/Unsplash/Divulgação)

Amortizar significa, literalmente, "matar" uma dívida de forma gradual. No contexto imobiliário, é a parte do pagamento mensal que vai direto para a redução do saldo devedor original (o valor que você pegou emprestado), sem contar os juros, seguros e taxas administrativas. Quando você faz um pagamento estratégico para reduzir o tempo ou o valor das parcelas, está realizando uma amortização extraordinária. Dominar esse mecanismo permite que você tenha controle sobre o custo efetivo total do seu crédito e planeje sua liberdade financeira com muito mais segurança.

1. Como funciona o cálculo da parcela mensal


A parcela que chega no seu aplicativo do banco ou boleto todo mês é um "pacote" composto por quatro elementos principais: a amortização, os juros, os seguros obrigatórios (MIP e DFI) e a taxa de administração. Os juros são o custo do aluguel do dinheiro, calculado sobre o saldo devedor atual. Já os seguros são exigências legais que protegem tanto o banco quanto a sua família em casos de morte, invalidez ou danos físicos ao imóvel.

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(Jakub Zerdzicki/Unsplash/Divulgação)

A mágica acontece na parcela de amortização. Enquanto os juros e taxas são "dinheiro perdido" (custos do serviço), a amortização é o que efetivamente aumenta a sua porcentagem de propriedade sobre o bem. Em sistemas de parcelas decrescentes, no início do contrato, uma parte considerável do que você paga é juros, mas, conforme o saldo devedor diminui, a proporção de amortização dentro da parcela tende a ter um impacto maior no valor total devido.

2. A diferença entre Tabela SAC e Tabela Price


Existem dois sistemas principais de amortização no Brasil: o SAC (Sistema de Amortização Constante) e a Tabela Price. No SAC, o valor destinado a abater a dívida é sempre o mesmo em todas as parcelas. Como o saldo devedor cai de forma constante, os juros (que incidem sobre esse saldo) diminuem a cada mês, fazendo com que as prestações sejam decrescentes — a primeira é a mais cara, e a última é a mais barata.

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(Freepik/Divulgação)

Já na Tabela Price, também conhecida como Sistema Francês, as parcelas são fixas do início ao fim do contrato (corrigidas apenas pela inflação ou TR). No começo, quase todo o valor da prestação é juros, e a amortização é muito pequena. É um modelo atraente para quem precisa de uma parcela inicial menor para caber no orçamento, mas, ao longo do tempo, o custo total dos juros costuma ser bem mais elevado do que no modelo SAC.

3. O poder da amortização extraordinária


A amortização extraordinária ocorre quando você utiliza uma reserva financeira, como o 13º salário ou o FGTS, para fazer um pagamento à parte das prestações mensais. Ao fazer isso, o valor pago vai 100% para o abatimento do saldo devedor, sem a incidência de juros sobre esse montante específico. É a estratégia mais eficiente para quem deseja reduzir drasticamente o custo total do financiamento imobiliário.

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(Andre Taissin/Unsplash/Divulgação)

Ao decidir amortizar um valor extra, o banco oferecerá duas opções: reduzir o valor da prestação mensal ou reduzir o prazo (número de meses). Reduzir o prazo costuma ser a escolha matematicamente mais vantajosa, pois você elimina as parcelas do final do contrato, sobre as quais incidiriam juros por muitos anos. No entanto, reduzir o valor da parcela pode ser ideal para quem busca alívio imediato no fluxo de caixa mensal.

4. O uso do FGTS como aliado no processo


O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é uma das ferramentas mais poderosas para a amortização no financiamento imobiliário. O trabalhador pode utilizar o saldo da sua conta vinculada para abater a dívida. Essa estratégia acelera a quitação do imóvel de forma substancial, aproveitando um dinheiro que rende pouco no fundo para eliminar uma dívida que possui juros habitualmente mais altos.

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(Freepik/Divulgação)

Porém, atualmente, existem regras para esse uso: o imóvel deve ser residencial, estar localizado na região onde você trabalha ou mora, e o valor do bem deve respeitar os limites do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Além de amortizar o saldo devedor, o FGTS também pode ser usado para pagar até 80% do valor das prestações por um período de 12 meses, o que é excelente para momentos de transição profissional ou reorganização financeira.

5. Dicas práticas para quitar seu imóvel mais rápido


Para aproveitar ao máximo a amortização, a disciplina é fundamental. Uma dica de ouro é tentar "arredondar" o pagamento da sua parcela. Se o seu boleto é de R$ 1.850,00 e você consegue pagar R$ 2.000,00, esses R$ 150,00 extras mensais direcionados à amortização podem reduzir anos de contrato. Manter uma reserva de emergência antes de começar a amortizar agressivamente também é essencial para não ficar desprotegido em caso de imprevistos.

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(Jakub Zerdzicki/Unsplash/Divulgação)

Por fim, monitore sempre o Custo Efetivo Total (CET) do seu financiamento. Às vezes, o mercado oferece oportunidades de portabilidade de crédito com juros menores. Ao migrar sua dívida para um banco com taxas mais baixas e continuar mantendo o ritmo de amortizações extraordinárias, você potencializa o efeito bola de neve a seu favor. Lembre-se: cada real amortizado hoje é um real a menos sobre o qual o banco poderá cobrar juros no futuro.

CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.