Entenda o que é arquitetura contemporânea, suas características, materiais, arquitetos de referência e exemplos de obras icônicas do século XXI
Publicado em 19 de jun. de 2025, 8:30

Centro Heydar Aliyev em Baku, Azerbaijão. Projetado pela arquiteta Zaha Hadid. (Andrea Pistolesi)
A arquitetura é uma linguagem que traduz os valores, as técnicas e as necessidades de uma sociedade. Com o passar das décadas, novas formas de pensar e construir se desenvolveram, levando ao surgimento da arquitetura contemporânea, um estilo que, mais do que um conjunto fechado de normas, expressa a liberdade criativa, a tecnologia e a consciência ambiental do nosso tempo.
Projetado por Moshe Safdie, o Jewel Changi Airport abriga o Rain Vortex, a maior cachoeira indoor do mundo e um ícone da biofilia aplicada à arquitetura contemporânea. (Domus/Divulgação)
A arquitetura contemporânea refere-se às produções arquitetônicas mais recentes, geralmente desenvolvidas a partir da segunda metade do século XX até os dias atuais. Ao contrário de estilos bem definidos como o gótico ou o barroco, a arquitetura contemporânea não segue um conjunto rígido de regras. Ela é, essencialmente, plural, dinâmica e aberta à experimentação.
Centro Heydar Aliyev em Baku, Azerbaijão. Projetado pela arquiteta Zaha Hadid (Hufton+Crow/Divulgação)
Nesse contexto, os projetos valorizam a originalidade, a funcionalidade, o diálogo com o entorno e a incorporação de novas tecnologias e materiais. Também é comum encontrar propostas que unem diferentes referências estéticas, culturais e históricas, criando soluções personalizadas e inovadoras para as demandas urbanas, ambientais e sociais atuais.
Capela Bosjes localizada no Vale de Breedekloof, na África do Sul. Projetada pelo escritório sul-africano Steyn Studio. (Adam Letch/Divulgação)
Embora muitas vezes confundidas, arquitetura moderna e contemporânea têm princípios distintos. A arquitetura moderna, que floresceu entre as décadas de 1920 e 1970, baseava-se em conceitos como a forma seguindo a função, linhas limpas, ausência de ornamentação e o uso de materiais como concreto, vidro e aço.
Lou Ruvo Center for Brain Health, localizado em Las Vegas, nos Estados Unidos. Projetado pelo arquiteto canadense-americano Frank Gehry. (Kimberly Reinhart/Flickr/Divulgação)
Já a arquitetura contemporânea amplia essas premissas e as torna mais flexíveis:
Centro Botín, localizado em Santander, na Espanha. Projetado pelo arquiteto italiano Renzo Piano. (Divulgação/CASACOR)
A arquitetura contemporânea é caracterizada por sua versatilidade de materiais, que são escolhidos não apenas pela estética, mas também por critérios como desempenho térmico, impacto ambiental e inovação. Alguns dos mais usados incluem:
A arquitetura contemporânea é marcada por profissionais que transformaram o modo de pensar e projetar espaços, trazendo novas linguagens formais, preocupações sociais e ambientais, e o uso inovador de tecnologias e materiais. A seguir, destacamos alguns dos principais nomes dessa vertente:
Galaxy Soho, localizado em Pequim, na China. Projetado pela arquiteta iraquiana-britânica Zaha Hadid. (Reprodução/CASACOR)
Zaha Hadid foi uma das figuras mais revolucionárias da arquitetura contemporânea. Nascida no Iraque e naturalizada britânica, ficou conhecida por suas formas fluidas, estruturas ousadas e abordagem futurista. Seu trabalho rompeu com as convenções da geometria ortogonal, propondo curvas e superfícies que pareciam desafiar as leis da gravidade.
Um de seus projetos mais emblemáticos é o Centro Heydar Aliyev, no Azerbaijão, que se tornou símbolo de inovação arquitetônica e expressão escultural. Zaha foi a primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker, em 2004, e sua influência continua a moldar o campo da arquitetura global mesmo após sua morte em 2016.
CityWave, localizado em Milão, na Itália. Projetado pelo escritório dinamarquês BIG, liderado por Bjarke Ingels. (Divulgação/CASACOR)
O dinamarquês Bjarke Ingels é um dos nomes mais proeminentes da nova geração de arquitetos. À frente do escritório BIG (Bjarke Ingels Group), ele propõe uma arquitetura que mistura sustentabilidade, inovação tecnológica e um toque de irreverência. Seus projetos costumam explorar novos formatos para habitação, espaços culturais e infraestrutura urbana, sempre com uma forte narrativa conceitual.
Um exemplo notável é o CopenHill, uma usina de energia com uma pista de esqui no telhado, que une engenharia, lazer e preocupação ambiental em uma única estrutura. Ingels defende a ideia de que a arquitetura deve ser pragmática e utópica ao mesmo tempo.
Museu de Arte He, localizado em Weihai, na China. Projetado pelo arquiteto japonês Tadao Ando. (Dezeen/Divulgação)
Tadao Ando é um arquiteto japonês autodidata conhecido por seu domínio do concreto aparente, da luz natural e da simplicidade formal. Sua arquitetura é profundamente influenciada pela filosofia zen e pelo minimalismo, resultando em obras que convidam à contemplação e ao silêncio.
Um de seus projetos mais conhecidos é a Igreja da Luz, onde o cruzamento da luz e da matéria se torna elemento central da experiência espacial. Ando combina técnicas construtivas modernas com uma sensibilidade espiritual única, criando espaços que transcendem sua função física.
Centre Pompidou, localizado em Paris, na França. Projetado pelos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers. (Sergio Grazia/Divulgação)
Renzo Piano é um arquiteto italiano premiado com o Pritzker e conhecido por seu trabalho que alia leveza estrutural, precisão técnica e integração com o ambiente urbano.
Cofundador do Centre Pompidou, em Paris, Piano também é o responsável pelo Centro Botín, em Santander, um espaço cultural que se eleva sobre pilotis e se integra de forma sutil ao entorno marítimo. Sua abordagem destaca o respeito pelo contexto, a sustentabilidade e o uso inteligente da luz e dos materiais. Piano costuma dizer que a arquitetura deve “emocionar sem gritar”.
Pinacoteca do Estado de São Paulo, localizada na cidade de São Paulo, Brasil. Reformada pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. (Nelson Kon/CASACOR)
Um dos maiores nomes da arquitetura brasileira e mundial, Paulo Mendes da Rocha desenvolveu uma linguagem própria dentro do brutalismo, marcada pelo uso expressivo do concreto e por uma forte dimensão social. Sua obra está intimamente ligada ao espaço público e ao debate sobre a cidade.
Entre seus projetos mais reconhecidos estão o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e a reforma da Pinacoteca de São Paulo. Vencedor do Prêmio Pritzker em 2006, Mendes da Rocha acreditava que a arquitetura deveria ser uma ferramenta para transformação social e integração entre as pessoas.
Algumas obras icônicas ajudam a ilustrar os princípios da arquitetura contemporânea em prática:









