Tudo começou com a avó. E que boa história de crochê não começa assim? Mas o que no passado era associado a um "
trabalho de senhoras", é hoje muito buscado por
jovens da Geração Z como uma forma de
se expressar artisticamente e descansar.
Essa também é a história de
Julia Buchhorn e Val Buchhorn, mãe e filha que estão à frente da
Comunidade Crochelícia (
@sandaloecedro). A mãe aprendeu com a avó paterna que tinha paixão por crochetar, que por sua vez, transmitiu esse amor e aprendizado a sua filha Julia.
Quando criaram a empresa, Julia conta que as confecções eram feitas pela mãe, e ela ficava nos bastidores fazendo fotos e alimentando as redes sociais, mas o interesse por aprender mais com Val surgiu, e
desde 2014 elas são parceiras em tudo – mesmo nas
linhas e agulhas. O crochê se tornou uma
tendência na moda e na decoração para quem busca aconchego, tanto para se vestir como também para morar. Isso trouxe um movimento de "
jovens crocheteiras" marcado por uma geração que busca ser mais autêntica e que vive intensamente de forma
online e offline.
Mas onde crochê e bem-estar se encontram?
(@sandaloecedro/Divulgação)
Tecnologia, trabalho e trânsito fazem parte do cotidiano de boa parte dos brasileiros. E o crochê se apresenta como esse refúgio para quem quer um
respiro da rotina agitada. "O crochê traz tantos benefícios que é até difícil elencar o principal, mas a gente acredita que seja o poder de
desestressar. Hoje em dia temos uma vida muito corrida, atribulada, e cheia de distrações com uma chuva de informações e excesso de telas. O momento de tecer te
conecta com o presente,
devolve foco e por isso,
acalma e ajuda a organizar os pensamentos", explica Julia.

Além disso, a especialista explica que a prática ajuda a desenvolver o lado criativo, além de conectar de uma forma muito bonita com a ancestralidade artesanal e resgatar uma
memória afetiva. "Dá muito orgulho tecer algo com as suas próprias mão e poder dizer: 'eu que fiz!'".
O papel do "feito à mão" na decoração
(@sandaloecedro/Divulgação)
Nos últimos anos,
peças artesanais ganharam destaque entre os projetos da
CASACOR como uma forma de
evocar a ancestralidade e conectar os projetos com o arquiteto de forma profunda. Essa tendência vem se mostrando como atemporal e sobrevivendo mesmo a tecnologias modernas e maquinários que produzem e peças em série padronizadas. Ainda assim, esse é um dos principais desafios para que faz um trabalho
verdadeiramente artesanal.
A dupla Val e Julia acredita que mais do que uma tendência, as
peças produzidas manualmente são essenciais para garantir
conforto e pertencimento. "Em um tempo em que tudo pode ser padronizado, nós de fato acreditamos que o futuro é do feito à mão. É
algo único, exclusivo e diferenciado, feito sob o seu olhar e sua bagagem".
Dica das "crochêzeiras"
(@sandaloecedro/Divulgação)
"Não tenha medo!". Muitas pessoas não se permitem
experimentar o crochê, seja como
hobby ou oportunidade de carreira, por medo de não dar certo. Para as especialistas, a prática de crochê deveria despertar o exato oposto do medo, pois é uma prática que garante paz e alegria já nos primeiros passos.
"Tecer te permite errar, desmanchar e refazer. Já pensou em quantas coisas na vida dão essa possibilidade? Nossa dica é não se cobrar tanto em algo que ninguém nasceu sabendo", afirmam mãe e filha. E como dica principal, elas deixam: arrisque-se sem se comparar e
aprecie a jornada.