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O que mais amamos na Semana Criativa de Tiradentes 2025

A Semana Criativa de Tiradentes 2025 celebrou o feito à mão e reuniu designers, artesãos e artistas de todo o Brasil em uma programação que uniu tradição, inovação e emoção. Confira os destaques que conquistaram o público nesta edição

Por Julyana Oliveira

Publicado em 27 de out. de 2025, 13:29

08 min de leitura
A Semana Criativa de Tiradentes 2025 celebrou o feito à mão e reuniu designers, artesãos e artistas de todo o Brasil em uma programação que uniu tradição, inovação e emoção. Confira os destaques que conquistaram o público nesta edição

A Semana Criativa de Tiradentes 2025 celebrou o feito à mão e reuniu designers, artesãos e artistas de todo o Brasil em uma programação que uniu tradição, inovação e emoção. Confira os destaques que conquistaram o público nesta edição (CASACOR/CASACOR)

Entre os dias 16 e 19 de outubro, Tiradentes (MG) se transformou em palco da criatividade brasileira. Em sua 9ª edição, a Semana Criativa de Tiradentes (SCT 2025) celebrou o feito à mão e promoveu encontros entre designers e artesãos de diferentes regiões do país. Juntos, eles trocaram saberes, compartilharam histórias e deram forma a verdadeiras obras de arte, reafirmando o propósito do evento de valorizar a cultura material brasileira e seus múltiplos sotaques. A seguir, os favoritos desta edição:

1. A Casa Pará: um mergulho na alma amazônica


Um dos grandes destaques da SCT 2025 foi a Casa Pará, cuja expografia foi assinada com sensibilidade pelo Guá Arquitetura. O espaço apresentou uma série de exposições que colocaram em diálogo tradição, território e contemporaneidade, cada uma refletindo a identidade dos artistas e artesãos paraenses envolvidos.

Semana Criativa de Tiradentes

Casa Pará. (Cacá Bratke/CASACOR)

Ao todo, foram oito mostras, que destacaram o fazer coletivo e o poder da ancestralidade. Entre elas, Admiriti, parceria entre o Guá Arquitetura e os mestres Joel, Valdeli, Ivan e Síria, apresentou móveis e luminárias que reinventam o uso do miriti, palmeira amazônica de onde se extrai uma fibra leve e renovável, também chamada de “isopor da Amazônia”. As peças revelaram a força do saber tradicional na criação de soluções sustentáveis e poéticas.

Semana Criativa de Tiradentes

Casa Pará. (Cacá Bratke/CASACOR)

Outro ponto alto da Casa Pará foi o encontro com o mestre Vital, que expôs suas máscaras produzidas com materiais reaproveitados e encantou o público contando pessoalmente as histórias por trás de cada peça.

Semana Criativa de Tiradentes

Casa Pará. (Cacá Bratke/CASACOR)

A exposição Veropa homenageou a tradicional feira Ver-o-Peso, com referências aos cheiros, cores e sabores do mercado paraense. Já as obras do artista Petcho Silveira convidaram a um mergulho sensível na vida da Amazônia negra, enquanto os Cabeçudinhos, feitos por moradores de São Caetano de Odivelas, apresentaram esculturas de papel machê que representam símbolos culturais da cidade, figuras coloridas e expressivas que tomam as ruas em festas e carnavais.

Semana Criativa de Tiradentes 2025

Cabeçudinhos – Casa Pará. (Cacá Bratke/CASACOR)

2. Jardim de Luz: a delicadeza que ilumina


No porão do Museu Casa Padre Toledo, uma das instalações mais encantadoras da edição conquistou o público: o Jardim de Luz, criado pelo designer mineiro Pietro Oliveira em parceria com o artesão Welington Carvalho, de Prados (MG), e cenografia de Alexandre Rousset.

Semana Criativa de Tiradentes

Jardim de Luz. (Reprodução/Instagram Pietro Oliveira/CASACOR)

Dentro de redomas de vidro, flores moldadas à mão em palha de milho se transformavam em luminárias, revelando o equilíbrio entre técnica artesanal e desenho contemporâneo. Mais que uma instalação, o espaço foi um tributo à poesia do fazer manual e ao valor simbólico do artesanato mineiro, uma luz que nasce das mãos e se propaga como memória e afeto.

3. Cor, emoção e artesanato: o Brasil maximalista de Maurício Arruda


Outro momento marcante da SCT 2025 foi a palestra Cor, emoção e artesanato: o Brasil maximalista, conduzida pelo arquiteto Maurício Arruda. Em um auditório lotado, Maurício compartilhou sua visão sobre o papel do artesanato e da arte popular na construção de uma identidade genuinamente brasileira.

Semana Criativa de Tiradentes

Palestra Maurício Arruda. (Allisson Ferrarezi/CASACOR)

“A arte popular e o artesanato brasileiro emocionam a gente porque tiram da gente a imposição de fazer algo bonito. É bonito porque é de verdade, é a coragem do povo brasileiro de fazer”, afirmou. Sua fala sintetizou o espírito do evento: celebrar o imperfeito, o autêntico e o que nasce das mãos com alma e emoção.

4. Entre máscaras e arrumações: Papangus em trânsito


No Sobrado da Prefeitura (antiga), a exposição Entre máscaras e arrumações: Papangus em trânsito, de Nicolas Gondim e da Casa de Design Cearense, foi um dos grandes pontos de encontro da edição. O projeto partiu da pesquisa fotográfica de Gondim sobre os Papangus, personagens mascarados que tomam as ruas do Ceará durante a Páscoa, em manifestações que misturam humor, fé e liberdade criativa.

Semana Criativa de Tiradentes

Casa Ceará, Bar de João Crispim (Julyana Oliveira/CASACOR)

Inspirados por esse universo, os designers Brenda Guimarães, Bruno Camarotti, Erico Gondim, Heytor Borges, Igor Sabá, João Pedro Crispin e Leo Ferreiro transformaram o tema em uma experiência sensorial. Entre os destaques, as fotografias dos Papangus registradas por Nicolas; as peças TRAQUINOS, de Erico, feitas com canos de saneamento reaproveitados e trançados de palha e fitas; e o bar com vitrais criado por João Crispin, inspirado nas máscaras dos personagens e desenvolvido a partir de uma pesquisa sobre a produção vitral artesanal de Fortaleza.


O conjunto revelou como o design pode ser um campo de experimentação e resistência, preservando o vernacular e o simbólico dentro de uma linguagem atual.

5. No picadeiro da imaginação: o universo fantástico de Fabio Francino


A exposição No Picadeiro da Imaginação, do artista homenageado da SCT 2025 Fabio Francino, transformou o espaço expositivo em uma verdadeira arena de afetos.

Trabalhando com papel machê, Fabio cria figuras híbridas, parte humanas, parte animais, que expressam espiritualidade, humor e emoção. Suas esculturas dialogam com o universo circense e com a religiosidade popular, revelando a beleza do extraordinário no cotidiano.

Semana Criativa de Tiradentes

Exposição No picadeiro da imaginação. (Thais Andressa/CASACOR)

O roxo, cor que envolveu toda a mostra, foi inspirado no poema Roxo, de Adélia Prado, e escolhido como símbolo de espiritualidade, paixão e transformação. Em meio a personagens oníricos e expressões intensas, o público encontrou um retrato tocante do Brasil que imagina, cria e acredita.

Semana Criativa de Tiradentes

Exposição No picadeiro da imaginação. (Thais Andressa/CASACOR)

A SCT 2025 deixou em Tiradentes uma atmosfera de encantamento e pertencimento. Mais do que um evento, a Semana Criativa reafirmou seu papel como movimento cultural que conecta pessoas, territórios e histórias, e que, ano após ano, prova que o design brasileiro pulsa mais forte quando nasce do encontro entre mãos e coração. Já estamos em contagem regressiva para a edição 2026!