Ao adentrar na instalação artística Ecos Armoriais da
CASACOR São Paulo 2024, é possível contemplar, na cômoda do designer Eduardo Carvalho, a obra de
J. Borges, um dos mais relevantes artistas populares brasileiros. Borges nasceu em 1935,
no município de Bezerros, em Pernambuco. Até o anúncio de sua morte nesta sexta-feira (26), o pernambucano era o maior xilogravurista vivo do país. O ilustrador tinha 88 anos e morreu de causas naturais, segundo a família. Xilogravurista raiz
As xilogravuras de J. Borges se destacam pela forte ligação com a literatura de cordel e as temáticas intrínsecas à
cultura popular nordestina. Os traços rústicos e originais de sua obra, como descreve o curador
Pedro Ariel Santana, fizeram o artista ser considerado um
"xilogravurista raiz" pelo escritor
Adriano Suassuna, que era amigo pessoal e parceiro de trabalho de Borges.
Borges não possuía nenhum tipo de formação erudita. Antes de se tornar
o maior nome da xilogravura nordestina, o pernambucano já havia sido
pedreiro, lavrador, carpinteiro, pintor de parede e vendedor. Apreciava o cordel desde a infância, mas só após os 20 anos de idade começou a produzir e vender os próprios folhetos, que posteriormente seriam ilustrados com as xilogravuras que desenhava. Por mais de sessenta anos, Borges se manteve fiel à xilogravura de cordel. "Essa temática de cordel, que é um pouco medieval e ao mesmo tempo
surrealista esteve sempre presente nas obras dele", afirma Pedro. O curador aponta que, enquanto outros artistas tentaram sofisticar o aspecto das xilogravuras, Borges não abriu mão das formas originais da arte que produzia. A "xilogravura raiz" de J. Borges é um marco da
cultura popular nordestina. Se na década de 1970, as produções de J. Borges representavam visualmente o
Movimento Armorial inaugurado por Ariano Suassuna, hoje suas obras são referência para a nova geração de artistas nordestinos como Derlon e Bozoba Camarte, que o agradecem nas redes sociais:
"Obrigada, J. Borges".
A arte de J. Borges está presente em uma exposição gratuita no Museu do Pontal, no
Rio de Janeiro, em cartaz até 25 de março de 2025
. Além disso, sua obra marca o Museu do Louvre, na França, e já alcançou o Museu de Arte de Nova York, nos Estados Unidos. Outros países como Alemanha, Suíça, Itália, Venezuela e Cuba também já receberam a obra do artista.