Exposição sobre Cícero Dias reúne obras abstratas das décadas de 1940 a 1960 e destaca seu papel pioneiro na arte brasileira
Publicado em 8 de jun. de 2026, 16:00

Com texto crítico de Gerardo Mosquera, a exposição na galeria Simões de Assis destaca o papel fundamental de Cícero Dias como pioneiro da arte abstrata no Brasil e na América Latina. (Simões de Assis/Divulgação)
A galeria Simões de Assis apresenta a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, uma mostra que lança um novo olhar sobre a produção abstrata de um dos artistas mais importantes da arte moderna brasileira. Com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera, a exposição fica em cartaz até 18 de julho de 2026 e reúne obras realizadas entre as décadas de 1940 e o início dos anos 1960.
Ao destacar um período decisivo da trajetória do artista, a mostra evidencia como Cícero Dias desenvolveu uma linguagem abstrata própria antes mesmo da consolidação dos movimentos concretista e neoconcretista no Brasil. O conjunto de trabalhos revela um percurso marcado pela experimentação, sensibilidade cromática e constante transformação de sua pesquisa artística.
Entre Pernambuco e Paris, Cícero Dias desenvolveu uma obra marcada por cores vibrantes, experimentação formal e um olhar inovador que antecipou importantes movimentos da arte abstrata. (Cortesia Simões de Assis/Serge Vandercam/Divulgação)
Cícero Dias (1907–2003) foi um dos principais nomes da arte moderna brasileira e um dos pioneiros da abstração na América Latina. Nascido em Pernambuco, destacou-se no movimento modernista a partir do final da década de 1920 e, em 1937, mudou-se para Paris, onde se aproximou de importantes figuras da vanguarda artística, como Pablo Picasso e Paul Éluard. Sua produção transitou da figuração ao abstracionismo, sempre marcada por cores vibrantes e forte experimentação formal.
Constant, 1962 - Cícero Dias. (Cortesia Simões de Assis/Ana Pigosso/Divulgação)
Hoje, suas obras integram importantes coleções internacionais, como as do Museum of Modern Art (MoMA), Centre Pompidou e Pinacoteca de São Paulo, consolidando seu legado como um elo entre a arte brasileira e as vanguardas europeias.
Les Villes Jumelles, 1946 - Cícero Dias. (Cortesia Simões de Assis/Divulgação)
A exposição acompanha a transição de Cícero Dias da pintura figurativa para a abstração. Nas obras produzidas durante os anos 1940, ainda é possível identificar elementos figurativos que, gradualmente, se dissolvem em composições de caráter mais livre e orgânico. Esse processo demonstra o interesse do artista por novas possibilidades visuais e pela construção de uma linguagem desvinculada da representação tradicional.
Sem Título, década de 60 - Cícero Dias. (Cortesia Simões de Assis/Ana Pigosso/Divulgação)
Ao longo dessa década, as formas tornam-se cada vez mais independentes, abrindo caminho para uma produção que se consolidaria nos anos seguintes como uma das mais originais da arte brasileira.
Um dos aspectos mais interessantes da mostra é a coexistência entre abstração lírica e geometria. Enquanto algumas pinturas apresentam movimentos fluidos e composições marcadas pela espontaneidade, outras revelam estruturas geométricas mais rigorosas e organizadas.
Sem Título, década de 40 - Cícero Dias. (Cortesia Simões de Assis/Jean-Louis Losi/Divulgação)
Nas obras da década de 1950, núcleo central da exposição, espirais, diagonais e formas geométricas passam a ocupar a superfície pictórica de maneira dinâmica. No entanto, mesmo diante desse rigor formal, a pintura de Dias preserva uma dimensão poética que a diferencia das correntes racionalistas mais ortodoxas.
Embora tenha desenvolvido grande parte de sua carreira no exterior, Cícero Dias manteve uma relação profunda com suas origens pernambucanas. A memória da paisagem, da luz e das cores do Nordeste brasileiro atravessa sua produção, mesmo quando a representação figurativa desaparece.
Musicalidade, década de 40 - Cícero Dias. (Cortesia Simões de Assis/Divulgação)
Essa presença sensorial pode ser percebida na intensidade cromática e no ritmo das composições abstratas. Como destaca Gerardo Mosquera, trata-se de uma obra que mobiliza mais a experiência sensível do que uma leitura exclusivamente racional, convidando o observador a uma relação mais intuitiva com a pintura.
Quando: 2 de junho a 18 de julho de 2026
Onde: Galeria Simões de Assis | Alameda Lorena, nº 2050 - Jardins, São Paulo/SP
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h
Entrada gratuita
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