Além de seus trabalhos famosos, Leonardo da Vinci produziu obras menos divulgadas que revelam a profundidade de seu olhar artístico e investigativo
Publicado em 15 de abr. de 2026, 9:00

Leonardo da Vinci (Wikimedia Commons/Divulgação)
Quando se fala em Leonardo da Vinci, é comum que pinturas como a Mona Lisa e A Última Ceia dominem o imaginário coletivo. No entanto, o legado do artista renascentista vai muito além dessas obras icônicas. Pintor, cientista, engenheiro e pensador, Leonardo desenvolveu uma produção artística marcada pela experimentação técnica e pela observação minuciosa da natureza e da condição humana.
Explorar trabalhos menos conhecidos de Leonardo da Vinci permite compreender com maior profundidade sua trajetória e sua constante busca por inovação. Muitas dessas obras apresentam características essenciais de seu estilo, como o uso do sfumato, a atenção à anatomia e o interesse por narrativas simbólicas. Em comemoração ao aniversário de 574 anos de seu nascimento, destacamos cinco pinturas do artista que valem a pena conhecer!
A Virgem do Cravo, datada de cerca de 1478-1480, é uma das primeiras pinturas atribuídas a Leonardo da Vinci. A obra representa a Virgem Maria com o Menino Jesus, que segura um cravo — flor associada simbolicamente à Paixão de Cristo. Atualmente, a pintura integra o acervo da Alte Pinakothek, em Munique.
A Virgem do Cravo, obra de Leonardo da Vinci. (Wikimedia Commons/Divulgação)
Embora apresente influências do mestre Andrea del Verrocchio, com quem Leonardo foi aprendiz, a obra já demonstra traços de sua autonomia artística. A delicadeza das expressões e o tratamento da luz indicam o desenvolvimento de uma linguagem própria.
Entre os retratos femininos de Leonardo da Vinci, Ginevra de' Benci ocupa um lugar singular. Produzida por volta de 1474-1478, a obra retrata uma jovem aristocrata florentina e é a única pintura do artista presente nas Américas, integrando o acervo da National Gallery of Art, em Washington, D.C.
Ginevra de' Benci, obra de Leonardo da Vinci. (Wikimedia Commons/Divulgação)
O retrato destaca-se pela sensibilidade psicológica e pela atenção aos detalhes naturais, como o fundo composto por um arbusto de zimbro — referência simbólica ao nome da retratada. Essa obra revela o interesse inicial de Leonardo pela individualidade humana e antecipa características que seriam aprimoradas em trabalhos posteriores.
Iniciada por volta de 1481 e nunca concluída, A Adoração dos Magos é uma obra essencial para compreender o processo criativo de Leonardo da Vinci. Encomendada pelos monges agostinianos de Florença, a pintura revela uma composição dinâmica e inovadora, com múltiplas figuras organizadas em torno da Virgem Maria e do Menino Jesus.
A Adoração dos Magos, obra de Leonardo da Vinci. (Wikimedia Commons/Divulgação)
Mesmo inacabada, a obra evidencia o interesse de Leonardo pela expressão emocional e pelo movimento. Atualmente, a pintura está preservada na Galleria degli Uffizi, em Florença, e é considerada um testemunho valioso de seu pensamento artístico.
O Salvator Mundi é uma das obras mais intrigantes atribuídas a Leonardo da Vinci. Datada de aproximadamente 1500, a pintura representa Cristo como o “Salvador do Mundo”, segurando um globo de cristal em uma das mãos e abençoando com a outra. A obra ganhou notoriedade recente após ser leiloada em 2017 por um valor recorde, reacendendo debates sobre sua autenticidade e estado de conservação.
Salvator Mundi, obra de Leonardo da Vinci. (Wikimedia Commons/Divulgação)
Apesar das controvérsias, muitos especialistas reconhecem na pintura elementos característicos do estilo de Leonardo, como a delicadeza das transições tonais e a expressividade do rosto. O uso sutil da luz e a representação detalhada das mãos reforçam a complexidade técnica do artista, tornando o Salvator Mundi uma peça significativa para o estudo de sua produção tardia.
São Jerônimo no Deserto é outra obra inacabada que oferece uma visão privilegiada do método de trabalho de Leonardo da Vinci. Datada de aproximadamente 1480-1490, a pintura retrata o santo em penitência, acompanhado por um leão, símbolo associado à sua iconografia.
São Jerônimo no Deserto, obra de Leonardo da Vinci. (Wikimedia Commons/Divulgação)
A obra destaca-se pelo estudo anatômico preciso do corpo humano, refletindo o profundo interesse de Leonardo pela ciência e pela observação da natureza. Atualmente conservada na Pinacoteca do Vaticano, a pintura revela a intensidade emocional e a capacidade do artista de transmitir espiritualidade por meio da expressão corporal, mesmo em um estado não finalizado.
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Milena Garcia.