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Arquitetura

Smiljan Radić Clarke vence o Prêmio Pritzker de Arquitetura 2026

Autor de obras como o Serpentine Pavilion e o Teatro Regional del Biobío, o arquiteto chileno é reconhecido por projetos que investigam paisagem, materialidade e experiência na arquitetura contemporânea

Por Redação

Publicado em 12 de mar. de 2026, 12:26

08 min de leitura
Smiljan Radić Clarke é o 55º laureado do Prêmio Pritzker.

Smiljan Radić Clarke é o 55º laureado do Prêmio Pritzker. (Reprodução/CASACOR)

O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke foi anunciado como vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026, considerado o prêmio mais importante da arquitetura mundial. Nascido em Santiago, ele se torna o 55º laureado do prêmio, que reconhece arquitetos vivos cuja obra apresenta contribuições significativas para a humanidade e para o ambiente construído.

Guatero, Bubble for the XXII Chilean Architecture Biennial, Smiljan Radić.

Guatero, para a Bienal de Arquitetura Chilena. (Cristóbal Palma /CASACOR)

A escolha reconhece uma trajetória de mais de três décadas marcada por projetos que fogem de uma linguagem arquitetônica fixa e investigam a relação entre matéria, paisagem e experiência humana. Dessa forma, Radić desenvolve cada obra como uma investigação singular, moldada pelo contexto cultural, social e geográfico do lugar. Segundo o júri do prêmio, sua arquitetura opera “no cruzamento entre incerteza, experimentação material e memória cultural”.

Uma arquitetura entre permanência e fragilidade


Pite House, por Smiljan Radić.

Pite House. (Hisao Suzuki/CASACOR)

Fundador de seu próprio escritório em 1995, Smiljan Radić construiu uma prática conhecida por explorar a tensão entre estruturas duráveis e construções aparentemente efêmeras. Em seus projetos, materiais como concreto, pedra, madeira e vidro são utilizados para moldar luz, peso e atmosfera, resultando em edifícios que privilegiam a experiência sensorial.

Serpentine Gallery Pavilion, por Smiljan Radić Clarke.

Serpentine Gallery Pavilion. (Iwan Baan/CASACOR)

Essa abordagem muitas vezes faz com que suas obras pareçam inacabadas ou provisórias — uma escolha deliberada que reflete sua visão de que a arquitetura deve dialogar com o tempo, com a paisagem e com a presença humana.

Copper House, Smiljan Radic.

Copper House. (Cristobal Palma/CASACOR)

O próprio arquiteto descreve sua prática como uma tentativa de criar experiências capazes de interromper a indiferença cotidiana, convidando as pessoas a perceber o mundo com mais atenção.

Obras que consolidaram sua trajetória


Serpentine Gallery Pavilion, por Smiljan Radić Clarke.

Serpentine Gallery Pavilion. (Iwan Baan/CASACOR)

Entre os projetos mais conhecidos de Smiljan Radić está o Serpentine Gallery Pavilion (2014), instalado nos jardins de Kensington, em Londres. A estrutura temporária combina uma casca translúcida de fibra de vidro apoiada sobre grandes pedras naturais, criando um espaço que oscila entre escultura e abrigo arquitetônico.

Teatro Regional del Biobío, por Smiljan Radić.

Teatro Regional del Biobío. (María González/CASACOR)

Outro projeto marcante é o Teatro Regional del Biobío (2018), um dos principais equipamentos culturais do país. O edifício é envolto por uma pele semitransparente que filtra a luz natural e contribui para o desempenho acústico do teatro, evidenciando o cuidado técnico presente em sua obra.

Restaurante Mestizo, Smiljan Radić.

Restaurante Mestizo. (Reprodução/CASACOR)

Radić também ganhou reconhecimento por projetos que dialogam diretamente com a paisagem chilena, como o Restaurante Mestizo (2006), parcialmente embutido no terreno para preservar a relação com o entorno, e a Pite House (2005), projetada para proteger os ambientes dos ventos costeiros.

House for the Poem of the Right Angle, por Smiljan Radić.

House for the Poem of the Right Angle. (Smiljan Radić/CASACOR)

Entre suas obras residenciais, destaca-se a House for the Poem of the Right Angle (2013), em Vilches, concebida como um refúgio contemplativo inserido em meio à floresta e marcada por aberturas orientadas para captar a luz e o passar do tempo.

Guatero, Bubble for the XXII Chilean Architecture Biennial, por Smiljan Radić.

Guatero, para a Bienal de Arquitetura Chilena. (Cristobal Palma/Estudio Palma/CASACOR)

Sua produção também inclui instalações e projetos experimentais, como Guatero, Bubble for the XXII Chilean Architecture Biennial (2023), uma estrutura inflável criada para a Bienal de Arquitetura do Chile.

Ampliação do Museo Chileno de Arte Precolombino, por Smiljan Radić.

Ampliação do Museo Chileno de Arte Precolombino. (Museo Chileno de Arte Precolombino/CASACOR)

Entre suas intervenções em patrimônio cultural está a ampliação do Museo Chileno de Arte Precolombino (2013), onde a nova estrutura subterrânea foi concebida como uma extensão discreta do edifício histórico.

Experimentação, memória e escala humana


Smiljan Radić Clarke vence o Prêmio Pritzker de Arquitetura 2026

O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke foi anunciado como vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026. (Reprodução/CASACOR)

Apesar do reconhecimento internacional, o escritório de Smiljan Radić mantém uma estrutura enxuta, o que o arquiteto considera essencial para preservar a liberdade experimental de seus projetos.

Smiljan Radić.

Nuvem inflável criada para um desfile da marca Alexander McQueen. (Reprodução/CASACOR)

Seu trabalho também se estende a instalações, residências e espaços culturais em diferentes países, incluindo França, Itália, Espanha, Suíça e Reino Unido. Ao longo desse percurso, sua arquitetura consolidou-se como uma investigação contínua sobre como os edifícios podem dialogar com o tempo, a natureza e as camadas culturais de cada lugar.

Serpentine Gallery Pavilion, Smiljan Radić.

Serpentine Gallery Pavilion. (Reprodução/CASACOR)

Com o Pritzker de 2026, Smiljan Radić reforça a presença do Chile no cenário global da arquitetura contemporânea. Nas últimas décadas, o país tem conquistado reconhecimento internacional por uma produção marcada pela experimentação, pela sensibilidade ao contexto e pela forte relação com a paisagem. Ao premiar Radić, o júri do Prêmio Pritzker de Arquitetura reconhece uma obra que desafia fórmulas estabelecidas e reafirma o papel da arquitetura como experiência sensorial, cultural e humana.