Mais do que uma renovação arquitetônica, o projeto transforma Montparnasse em um fragmento urbano mais acessível, ativo e conectado ao presente
Publicado em 2 de fev. de 206, 15:14

Montparnasse (RPBW/Divulgação)
O escritório Renzo Piano Building Workshop (RPBW) apresentou um novo projeto para o Ensemble Immobilier Tour Maine-Montparnasse, complexo urbano localizado no entorno da Torre Montparnasse, em Paris. A proposta faz parte de um processo de revitalização que transforma um conjunto fechado, típico da arquitetura dos anos 1970, em um espaço mais aberto, conectado e voltado para as pessoas.
Montparnasse (RPBW/Divulgação)
Encomendado pelos coproprietários do Montparnasse Commercial Centre e da Torre CIT, o projeto acontece em paralelo à renovação da Torre Montparnasse, conduzida pelo escritório Nouvelle AOM. Juntas, as intervenções buscam mudar a relação do conjunto com a cidade, substituindo a lógica de um grande bloco isolado por um bairro mais integrado ao dia a dia urbano.
Construído entre 1969 e 1973 no antigo terreno da estação ferroviária de Montparnasse, o complexo reúne três elementos principais: a Torre Montparnasse, o centro comercial e a Torre CIT, implantada sobre uma laje elevada. A proposta do RPBW parte dessas estruturas existentes, mas aposta na reabertura do quarteirão, na reconexão das ruas e na valorização do térreo como espaço de circulação e convivência.
Montparnasse (Presse Agence Nouvelle AOM/Divulgação)
Iniciado em 2022, o projeto passou por uma pausa em 2023, motivada por debates sobre o Plano Diretor de Paris. Os trabalhos foram retomados em 2025 e, no final do mesmo ano, a proposta foi aprovada pelo Conselho de Paris. Em janeiro de 2026, um acordo entre a prefeitura e os proprietários oficializou o avanço do projeto.
Montparnasse (RPBW/Divulgação)
A proposta do Renzo Piano Building Workshop redefine o antigo centro comercial como um quarteirão mais próximo da escala tradicional da cidade. Ruas são reabertas, novos caminhos para pedestres são criados e os volumes do conjunto passam a dialogar melhor com o entorno.
O programa combina diferentes usos para manter o espaço ativo ao longo do dia. Estão previstos ambientes culturais, comerciais, esportivos e residenciais, incluindo moradias estudantis e escritórios. Essa diversidade contribui para uma ocupação mais constante e cria um ambiente mais vivo e seguro.
Nesse contexto, a arquitetura atua como suporte para encontros e circulação. Em vez de soluções monumentais, o projeto valoriza espaços acessíveis, percursos claros e áreas pensadas para permanência, estimulando o convívio e o uso cotidiano.
Montparnasse (RPBW/Divulgação)
Entre as principais transformações estão as novas rotas de pedestres que atravessam o quarteirão, conectando a Rue de Rennes, a estação Montparnasse e ruas vizinhas. Os pavimentos térreos tornam-se mais acessíveis, facilitando a circulação e reforçando a integração com a cidade.
No centro do projeto, uma grande praça arborizada foi pensada como espaço de encontro e descanso. O local abriga cafés, terraços, atividades culturais e áreas esportivas, criando um ambiente protegido do tráfego intenso e convidativo para permanecer.
Com vista para a praça, está previsto um centro cultural de cerca de 1.500 m², conectado por elevadores panorâmicos e mirantes que ampliam o acesso do público. Na cobertura, áreas esportivas ao ar livre se integram ao centro esportivo Armand Massard, que também terá seus acessos redesenhados para melhorar a relação com o espaço público.
A proposta construtiva prioriza o aproveitamento da estrutura existente, o que reduz o impacto ambiental da obra. A malha estrutural original é mantida como base do projeto, enquanto novos volumes surgem de forma pontual, com estruturas leves. Essa estratégia combina preservação e atualização, valorizando o que já existe.