Wang Shu e Lu Wenyu se tornaram os curadores da Bienal de Arquitetura de Veneza 2027 ao defender técnicas vernaculares, materiais reaproveitados e trabalhos manuais
Publicado em 3 de dez. de 2025, 16:01

Novos curadores da Bienal de Arquitetura de Veneza (La Biennale di Venezia by ASAC- Matteo Losurdo/Divulgação)
Wang Shu e Lu Wenyu, fundadores do Amateur Architecture Studio, foram nomeados como os curadores da 20ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Arquitetura de Veneza. O evento está previsto para começar em 8 de maio e permanecer em exibição até 21 de novembro de 2027, nos tradicionais espaços Giardini e Arsenale.
A escolha dos novos responsáveis pela curadoria foi aprovada pelo Conselho Diretor da Biennale após proposta do presidente Pietrangelo Buttafuoco. Com isso, Wang Shu e Lu Wenyu se tornam os primeiros chineses a assumirem a posição, além de serem a segunda dupla a dividir oficialmente o comando da mostra.
Em nota oficial, os profissionais afirmaram: “No mundo atual, as rápidas e múltiplas mudanças na arquitetura são mais um fenômeno de aparência, resultado de excessiva conceitualização ou comercialização desenfreada. Experimentos conceituais levados ao extremo muitas vezes se distanciam da realidade, e a comercialização excessiva tende a ser apenas popular e efêmera. Por essa razão, diante da crise real deste mundo, insistir em um conceito e método de arquitetura simples e verdadeiro tem um valor especial".
(La Biennale di Venezia by ASAC- Matteo Losurdo/Divulgação)
A trajetória de Wang Shu e Lu Wenyu é marcada pela defesa contínua da construção ligada ao território, ao trabalho manual e ao valor simbólico de materiais cotidianos — pilares que moldam sua atuação desde os anos 1990. Na contramão de modelos urbanos baseados na substituição total do existente, o Amateur Architecture Studio trabalha com processos que envolvem restauração, reaproveitamento e técnicas que dialogam diretamente com a experiência das comunidades locais.
Esse compromisso se reflete na recusa de tratar técnicas vernaculares ou materiais reaproveitados como meros recursos estéticos. Para a dupla, tais elementos funcionam como contrapesos estruturais diante de um panorama global em que a demolição e a reconstrução acelerada ditam o ritmo das cidades.
A presença do escritório na Bienal de Arquitetura de Veneza já é antiga: a dupla participou pela primeira vez em 2006, voltou em 2010 sob a curadoria de Kazuyo Sejima — quando recebeu Menção Honrosa pela instalação Decadência de uma Cúpula — e integrou novamente a mostra em 2016 a convite de Alejandro Aravena.
Fora de Veneza, seus projetos ganharam projeção internacional, como o Museu Histórico de Ningbo, o Campus Xiangshan, a renovação da Vila de Wencun, o Arquivo Nacional de Publicações e Cultura de Hangzhou, a Colina dos Azulejos e o Complexo Cultural Fuyang. O trabalho da dupla também já ocupou instituições como o MoMA, o Centro Pompidou e o Museu de Arte Moderna da Louisiana. Em 2012, Wang Shu recebeu o Prêmio Pritzker de Arquitetura.
A edição de 2027 da Bienal de Arquitetura de Veneza está programada para acontecer entre 8 de maio e 21 de novembro, com pré-aberturas agendadas para 6 e 7 de maio. Embora o tema central e o texto curatorial ainda não tenham sido anunciados, a declaração inicial da dupla sugere que a próxima mostra deve se voltar a questões essenciais: processos arquitetônicos enraizados, práticas que valorizam o simples e uma relação estreita com o espaço construído.