Descubra a trajetória de Vilanova Artigas e 13 projetos icônicos que marcaram a arquitetura moderna brasileira
Publicado em 19 de mar. de 2026, 17:30

Casa Baeta - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
A história da arquitetura moderna brasileira é marcada por profissionais que ajudaram a construir uma identidade própria para o país. Entre esses nomes, poucos são tão influentes quanto João Batista Vilanova Artigas. Arquiteto, professor e pensador, ele foi um dos principais responsáveis por consolidar a chamada Escola Paulista de arquitetura, caracterizada pelo uso expressivo do concreto, pela valorização da estrutura e pela criação de espaços voltados à convivência coletiva.
(Itaú Cultural/Divulgação)
Ao longo de sua trajetória, desenvolveu projetos residenciais, edifícios institucionais e equipamentos urbanos que hoje são referências da arquitetura moderna no Brasil. A seguir, conheça melhor quem foi Vilanova Artigas e descubra 13 projetos emblemáticos que ajudam a compreender a importância de seu legado.
João Batista Vilanova Artigas nasceu em Curitiba, no Paraná, e formou-se em engenharia-arquitetura pela Universidade de São Paulo em 1937. No início da carreira, teve contato com influências do modernismo internacional e com a obra de arquitetos como Le Corbusier e Frank Lloyd Wright.
(Itaú Cultural/Divulgação)
Com o tempo, no entanto, Artigas passou a desenvolver uma linguagem própria, marcada pelo uso expressivo do concreto armado, pela clareza estrutural e pela criação de espaços amplos e integrados. Essas características se tornaram marcas registradas da chamada Escola Paulista, movimento arquitetônico que teve grande impacto na produção brasileira a partir dos anos 1950.
Vilanova Artigas em aula na FAU USP. (Reprodução / Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz / Olé Produções/Divulgação)
Além de projetar, Artigas também teve papel fundamental no ensino da arquitetura. Como professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, influenciou gerações de profissionais, como o grupo Arquitetura Nova, e contribuiu para consolidar um pensamento crítico sobre o papel social da arquitetura.
Mais do que criar edifícios marcantes, Vilanova Artigas acreditava que a arquitetura deveria contribuir para uma sociedade mais democrática. Para ele, os espaços arquitetônicos tinham o poder de estimular convivência, diálogo e troca entre as pessoas.
Edifício Louveira - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
Essa visão aparece em muitos de seus projetos, que frequentemente valorizam áreas coletivas, circulações generosas e espaços abertos. Em vez de esconder a estrutura dos edifícios, Artigas optava por torná-la visível, transformando vigas, pilares e lajes em elementos protagonistas da composição arquitetônica.
Essa abordagem influenciou profundamente a arquitetura brasileira e continua sendo referência para arquitetos contemporâneos.
A Casa Benedito Levi, construída em São Paulo, é um dos primeiros projetos residenciais de destaque de Vilanova Artigas. A obra apresenta uma organização funcional clara e volumes simples, típicos do modernismo da época.
Casa Benedito Levi - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
O projeto já ensaia o uso de planta mais livre e integração com o jardim, além de trabalhar com aberturas contínuas que reforçam a relação visual com o exterior. Ainda distante do brutalismo posterior, a casa revela um momento de experimentação formal e construtiva.
O Edifício Louveira é um dos projetos mais conhecidos da arquitetura residencial moderna em São Paulo. O conjunto é composto por dois blocos paralelos elevados sobre pilotis que liberam o térreo para uso coletivo.
Edifício Louveira - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
O vazio central funciona como um pátio-jardim que organiza a circulação e cria uma ambiência interna protegida do ruído urbano. Outro ponto importante é a modulação das fachadas, com brises e elementos vazados que controlam insolação e ventilação, além de conferir ritmo visual ao conjunto.
Na Casa Vilanova Artigas II, o arquiteto explora de forma radical a estrutura como elemento organizador do espaço. A cobertura em laje única apoiada em poucos pontos cria um grande vão livre interno, eliminando estrategicamente o uso de paredes.
Casa Vilanova Artigas II - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
A circulação se dá por meio de níveis intermediários e rampas sutis, antecipando soluções que seriam amplamente utilizadas em seus projetos institucionais. A casa também evidencia o concreto aparente como linguagem principal.
A Residência Elphy Rosenthal apresenta soluções estruturais marcantes e uma forte relação entre forma e estrutura.
Residência Elphy Rosenthal - Vilanova Artigas. (Revista Acrópole/Arquivos.Arq/Divulgação)
Assim como em outros projetos de Artigas, a casa valoriza a iluminação natural e a ventilação cruzada, elementos importantes para o conforto ambiental e para a qualidade dos espaços internos.
Localizada em Curitiba, a Casa João Luiz Bettega demonstra como Artigas adaptava seus projetos às características específicas do terreno, organizando os ambientes em níveis escalonados.
Residência João Luiz Bettega. (Revista Haus/Divulgação)
A estrutura acompanha a topografia, criando uma volumetria fragmentada que se integra à paisagem. Um dos destaques é o uso de grandes panos de vidro combinados com elementos estruturais robustos, equilibrando transparência e peso visual.
A Casa Baeta é um exemplo emblemático do uso do concreto como linguagem plástica. O projeto apresenta uma cobertura em laje espessa apoiada em poucos pontos, criando balanços marcantes.
Casa Baeta - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
Internamente, os espaços são organizados a partir de um eixo central que distribui os ambientes sem necessidade de corredores convencionais. A escada, muitas vezes tratada como elemento secundário, ganha protagonismo como peça escultórica.
A Casa Rubens de Mendonça se destaca pelo uso expressivo de vigas e lajes aparentes que definem a volumetria da residência. A estrutura não é apenas suporte, mas também linguagem.
Casa Rubens de Mendonça - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
O projeto apresenta uma clara separação entre áreas sociais e íntimas por meio de níveis e desníveis sutis, criando uma leitura espacial dinâmica sem recorrer a divisões rígidas.
Na Casa Mario Taques Bittencourt, o arquiteto explora a relação entre estrutura e fechamento, utilizando elementos verticais que funcionam como filtros visuais e climáticos.
Casa Mario Taques Bittencourt - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
Mantendo traços já característicos de Artigas, a residência apresenta uma organização linear, com circulação bem definida e aberturas estrategicamente posicionadas para captar ventilação cruzada. O projeto também evidencia o cuidado com a implantação e orientação solar.
A Casa Ester e Ariosto Martirani destaca-se pela organização racional dos ambientes e pela clareza estrutural.
Casa Esther e Ariosto Martirani - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
Assim como em outros projetos residenciais do arquiteto, a casa valoriza áreas de convivência e grandes espaços que favorecem o encontro entre os moradores.
O edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo é considerado uma das obras mais importantes da arquitetura moderna brasileira. Sua estrutura é composta por grandes pórticos de concreto que permitem um imenso vão livre interno.
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
O espaço central contínuo é organizado por rampas, eliminando a hierarquia entre pavimentos. A iluminação zenital, feita por sheds na cobertura, garante luz difusa e uniforme, ideal para atividades acadêmicas.
Na Rodoviária de Londrina, Artigas desenvolve uma cobertura de grande escala sustentada por uma estrutura modular que facilita a expansão e manutenção do edifício.
Rodoviária de Londrina - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
O edifício foi projetado para organizar grandes fluxos de passageiros com clareza, utilizando espaços amplos e uma estrutura robusta.
O Estádio Cícero Pompeu de Toledo, conhecido como Morumbi, contou com a participação de Artigas em seu projeto estrutural inicial.
Estádio do Morumbi - Cícero Pompeu de Toledo - Vilanova Artigas. (Estádio do Morumbi/Divulgação)
Com escala monumental, o estádio tornou-se um dos maiores do Brasil e um marco da arquitetura esportiva paulista.
A Rodoviária de Jaú é um dos projetos mais icônicos de João Batista Vilanova Artigas pela expressividade de seus pilares, que se abrem em curvas ao encontrar a cobertura.
Rodoviária de Jaú - Vilanova Artigas. (Nelson Kon/Divulgação)
Organizada em uma modulação rigorosa, a estrutura sustenta uma cobertura em sistema de caixão perdido, com duas lajes conectadas por vigas. Nos pontos de apoio, aberturas circulares revelam a transição estrutural entre pilares e laje, permitindo também a entrada de luz zenital de forma controlada.
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.