O
Museu das Amazônias (MAZ) foi oficialmente inaugurado em Belém, no Armazém 4A do Complexo Porto Futuro II, como um espaço dedicado a democratizar e ampliar o acesso ao conhecimento sobre o
território amazônico. O projeto antecipa a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) com o propósito de reunir
ciência, arte e saberes tradicionais.
Mais do que um centro expositivo, o museu se apresenta como um
território vivo, que reflete a pluralidade de povos e ecossistemas das amazônias. Implementado pelo IDG em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Secretaria de Cultura do Estado do Pará, o novo espaço pretende ser
referência em práticas museológicas inclusivas e descentralizadas, com foco em
sustentabilidade e conexão com os territórios.
Museu múltiplo e contemporâneo
Com cerca de 1.450 m² de área expositiva, o Museu das Amazônias foi pensado para acolher
diferentes linguagens artísticas e experiências educativas. O espaço conta com duas galerias de exposição, loja, área educativa e sala multiuso para 130 pessoas.
Exposição Amazônia - Museu das Amazônias (IDG/Divulgação)
A comissão curatorial, composta pela antropóloga e pesquisadora indígena Francy Baniwa, pela ecóloga Joice Ferreira e pela arqueóloga Helena Lima, simboliza o espírito colaborativo do projeto. A proposta é transformar o museu em um
ambiente de encontro entre perspectivas diversas — indígenas, ribeirinhas, quilombolas e urbanas — sobre o bioma e suas formas de vida.
Arquitetura que celebra a natureza
Assinado pelos escritórios
be.bo. e
Guá Arquitetura, o projeto arquitetônico do Museu das Amazônias reinterpreta um antigo armazém do Porto Futuro II, transformando-o em um
percurso que combina descoberta e contemplação. O edifício dialoga com a paisagem urbana e fluvial de Belém, cidade que sediará a COP-30 em 2025, e propõe um modelo de
arquitetura sustentável e simbólica.
Museu das Amazônias. (IDG/Divulgação)
O desenho do espaço é
inspirado na cobra, figura central em diversas mitologias amazônicas, que orienta o traçado do edifício e sua identidade visual. Os bancos de convivência foram confeccionados com mais de
quinze espécies de madeiras de manejo sustentável, compondo também uma xiloteca. Na fachada, o mural coletivo "A Serpente é um Corpo que Une Mundos", criado por dezesseis artistas pan-amazônicos, transforma a arquitetura em obra de arte pública.
Exposições inaugurais
O Museu das Amazônias abre suas portas com
duas grandes mostras. No térreo, a exposição "Amazônia", de
Sebastião Salgado, chega pela primeira vez ao Norte do país após circular por Paris, Londres e São Paulo. São cerca de
200 imagens em preto e branco, fruto de sete anos de expedições, que retratam a
força das paisagens e das comunidades indígenas da floresta.
Exposição Ajurí - Museu das Amazônias (IDG/Divulgação)
No mezanino, a exposição "Ajurí" apresenta
obras de artistas amazônidas e nacionais, valorizando a ancestralidade e os materiais naturais da região — como fibras de coco, taboa e miriti. Um dos destaques é um
móbile composto por mais de 1.500 animais de miriti produzidos por artesãos de Abaetetuba, representando a diversidade da fauna e a potência da arte popular. Além dessas, u
ma exposição permanente com um passeio cronológico pela história da Amazônia está prevista para 2026. Serviço – Museu das Amazônias
- Endereço: Armazém 4A, Complexo Porto Futuro II, bairro do Reduto, Belém
- Funcionamento: de quinta a terça, das 10h às 18h (última entrada às 17h). Fechado às quartas para manutenção.
- Entrada: gratuita até fevereiro de 2026.