No Dia Internacional da Mulher, um recorte de profissionais que ajudaram a moldar a arquitetura, o paisagismo e o urbanismo no Brasil
Publicado em 8 de mar. de 2026, 8:00

Mulheres que ajudaram a desenhar as cidades brasileiras (Divulgação/Divulgação)
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma oportunidade ainda maior para reconhecer trajetórias femininas inspiradoras. No contexto da arquitetura e do urbanismo, diversas mulheres participaram de projetos decisivos para a forma como as cidades são pensadas, habitadas e vividas.
Muitas dessas profissionais atuaram em contextos ainda pouco receptivos à presença feminina em áreas técnicas e de decisão. Ainda assim, deixaram contribuições importantes em obras, planos urbanos, instituições culturais e políticas públicas. Listamos 7 delas (que merecem ser reconhecidas ao longo do ano todo!) a seguir.
Nascida na Itália e radicada no Brasil a partir dos anos 1940, Lina Bo Bardi construiu uma trajetória profundamente ligada à arquitetura moderna brasileira. Seu trabalho combinou rigor estrutural, sensibilidade social e interesse pela cultura popular.
(Reprodução/Divulgação)
Entre suas obras mais conhecidas está o Museu de Arte de São Paulo (MASP), cujo vão livre se tornou um dos marcos urbanos da Avenida Paulista. Lina também foi responsável por projetos como o Sesc Pompeia, em São Paulo, onde antigas estruturas industriais foram transformadas em espaços culturais e de convivência.
Além de engenheira civil e gestora pública, Carmen Velasco Portinho foi a primeira mulher a ganhar o título de urbanista no Brasil. Ao longo da carreira, atuou em instituições públicas e participou de debates sobre planejamento urbano e moradia.
Carmem Portinho (Creative Commons/Divulgação)
Uma de suas contribuições mais conhecidas está ligada ao conjunto residencial Pedregulho, no Rio de Janeiro, projetado por Affonso Eduardo Reidy. Carmen participou da concepção do programa habitacional e da gestão do projeto, que buscava integrar moradia, educação e lazer em uma mesma estrutura urbana.
Artista plástica de origem japonesa, Tomie Ohtake construiu uma carreira marcada pela presença constante no espaço urbano. Suas esculturas e instalações passaram a integrar paisagens de diferentes cidades brasileiras, dialogando com a arquitetura e com o cotidiano das pessoas.
Tomie Ohtake. (Reprodução/Divulgação)
Entre suas obras públicas mais conhecidas estão esculturas monumentais em avenidas, praças e parques. A artista também participou da criação do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, que se tornou um importante centro cultural dedicado à arte contemporânea.
Paisagista e urbanista, Rosa Kliass contribuiu para consolidar o paisagismo como campo profissional no Brasil. Seu trabalho se destaca pela valorização dos espaços públicos e pela compreensão do verde como parte essencial da vida urbana.
Rosa Kliass (Marcelo Scandaroli/Divulgação)
Ao longo da carreira, participou de projetos de parques, praças e áreas abertas em diferentes cidades. Também teve papel importante na formação e organização da profissão, ajudando a estruturar associações e debates sobre paisagismo e planejamento ambiental no país.
Figura central na história do urbanismo carioca, Lota de Macedo Soares esteve à frente da criação do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro. O projeto transformou uma extensa área aterrada da Baía de Guanabara em um parque urbano de grande escala.
Lota de Macedo Soares (Instituto Lota/Divulgação)
Apesar de nunca ter frequentado a universidade, Carlota foi reconhecida como arquiteta autodidata e paisagista emérita. Além do Parque do Flamengo, outra de suas criações icônicas é a Casa Samambaia, onde viveu com a esposa Elizabeth Bishop.
Arquiteta e professora, Mayumi Souza Lima dedicou parte significativa de sua carreira ao desenvolvimento de projetos voltados para educação e infância. Seu trabalho esteve ligado à criação de ambientes escolares que considerassem as necessidades das crianças.
Mayumi Souza Lima (Divulgação/Divulgação)
Entre os projetos mais conhecidos estão escolas e centros educacionais desenvolvidos principalmente em São Paulo. Sua abordagem buscava integrar arquitetura, pedagogia e espaço urbano, propondo ambientes que estimulassem convivência, autonomia e aprendizado.
Urbanista, pesquisadora e professora, Raquel Rolnik construiu uma trajetória marcada pela reflexão sobre direito à cidade, políticas habitacionais e planejamento urbano. Sua atuação inclui trabalhos acadêmicos, participação em políticas públicas e atuação em organismos internacionais.
Raquel Rolnik (Marcos Santos/USP Imagens/Divulgação)
Ao longo de sua carreira, contribuiu para ampliar o debate sobre desigualdades urbanas e sobre o acesso democrático à cidade. Entre 2003 e 2007, foi secretária nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, além de relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada nos anos seguintes. Ainda hoje, atua como professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.