comScore
CASACOR
Arquitetura, Profissionais

Morre o arquiteto Frank Gehry, aos 96 anos

Autor de projetos icônicos ao redor do mundo, Frank Gehry marcou a arquitetura contemporânea com obras de forte impacto urbano e linguagem escultórica

Por Redação

Publicado em 5 de dez. de 2025, 18:26

05 min de leitura
Frank Gehry do lado de fora do Wal Disney Concert Hall, em LA

Frank Gehry do lado de fora do Wal Disney Concert Hall, em LA (Robert Galbraith/Reuters/Divulgação)

Frank Gehry, arquiteto responsável por algumas das obras mais emblemáticas da arquitetura contemporânea, morreu nesta sexta-feira (5), aos 96 anos. Reconhecido mundialmente por sua linguagem escultórica e por desafiar os limites entre arte e construção, Gehry construiu uma trajetória marcada por experimentação, visibilidade internacional e impacto urbano duradouro.

Museu Guggenheim de Bilbao

Museu Guggenheim de Bilbao (Antonio Gabola/Unsplash/Divulgação)

O arquiteto faleceu em sua casa, em Santa Mônica, após um quadro respiratório recente, segundo informou sua equipe. Seu legado permanece vivo em edifícios que se tornaram símbolos arquitetônicos, como o Museu Guggenheim de Bilbao, a Casa Dançante de Praga e o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles.

Vida e carreira de Frank Gehry


Frank Gehry nasceu como Ephraim Owen Goldberg em 28 de fevereiro de 1929, em Toronto, no Canadá. Em 1947, mudou-se com a família para Los Angeles, onde mais tarde se naturalizou cidadão estadunidense. O arquiteto adotou o nome Frank Gehry ainda jovem, por sugestão de sua primeira esposa, em um contexto em que o sobrenome de origem judaica poderia restringir oportunidades profissionais.

Apesar do interesse precoce por desenho e construção de maquetes, Gehry só definiu a arquitetura como carreira ao entrar na vida acadêmica. Formou-se arquiteto pela Universidade do Sul da Califórnia em 1954. Após o período de serviço no Exército, cursou também planejamento urbano na Universidade de Harvard. Ao longo de décadas, manteve produção ativa e relevante até mais de 80 anos de idade, com projetos executados em diferentes países.

Projetos mais famosos


A obra de Frank Gehry é caracterizada por volumes dinâmicos, uso expressivo de metais e superfícies curvas que parecem estar em constante movimento. Seu interesse pela arte contemporânea, em especial pela pop art, influenciou diretamente sua maneira de conceber edifícios como verdadeiras esculturas habitáveis.

Luma Arles, na França

Luma Arles, na França (Adrian Deweerdt/Divulgação)

Entre seus projetos mais emblemáticos estão o Museu Guggenheim de Bilbao, que transformou a paisagem urbana da cidade espanhola e se tornou referência mundial de requalificação urbana; o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles; e o DZ Bank Building, em Berlim.

Casa de Gehry, em Santa Mônica

Casa de Gehry, em Santa Mônica (Dezeen/Divulgação)

Gehry também foi responsável pela ampliação da sede do Facebook, na Califórnia, a convite do próprio Mark Zuckerberg. Entre suas obras mais pessoais está a Gehry Residence, sua casa construída nos anos 1970, que combina elementos tradicionais a uma estrutura aparentemente fragmentada, criando um efeito arquitetônico de desconstrução controlada.

Dancing House, em Praga.

Dancing House, em Praga. (Getty Images/Divulgação)

Sua trajetória criativa é retratada de perto no documentário Sketches of Frank Gehry (2005). O filme oferece um olhar íntimo sobre seus processos, esboços e decisões. A produção marca também a estreia de Sydney Pollack, amigo pessoal do arquiteto, na direção de documentários.

Reconhecimento e premiações


Ao longo da carreira, Frank Gehry recebeu os principais reconhecimentos da arquitetura internacional. O Prêmio Pritzker, considerado o mais prestigiado do setor, foi concedido ao arquiteto como reconhecimento por uma obra descrita como inovadora, ousada e profundamente conectada à identidade americana.

Disney Concert Hall, em Los Angeles

Disney Concert Hall, em Los Angeles. (Getty Images/Divulgação)

Além disso, Gehry foi homenageado com a Medalha de Ouro do Instituto Real de Arquitetos Britânicos, recebeu prêmios por seu conjunto de obra nos Estados Unidos e foi nomeado Companion of the Order of Canada, uma das mais altas honrarias concedidas em seu país natal. Seu percurso sintetiza uma arquitetura autoral, experimental e profundamente transformadora das paisagens urbanas.