Entre projetos construídos, mobiliário e produção acadêmica, Julio Katinsky consolidou uma das carreiras mais influentes da arquitetura nacional
Publicado em 13 de jun. de 2026, 11:30

Julio Katinsky (Nelson Kon/Divulgação)
O arquiteto e urbanista Julio Roberto Katinsky faleceu na última quinta-feira (11), aos 94 anos. Nascido em Salto, no interior de São Paulo, formou-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) em 1957 e construiu uma trajetória que atravessou mais de sete décadas de atuação entre projeto, ensino, pesquisa e desenho industrial.
Referência da arquitetura moderna brasileira, destacou-se especialmente por suas contribuições à arquitetura escolar, à reflexão crítica sobre a disciplina e à formação de gerações de arquitetos. Ao longo da carreira, conciliou a produção arquitetônica com a vida acadêmica, tornando-se professor titular da FAU-USP.
Entre 1956 e 1957, ainda no início da carreira, integrou a equipe que conquistou o quinto lugar no concurso nacional para o Plano Piloto de Brasília. Mais do que edifícios, Katinsky deixou um legado de ideias que ajudaram a moldar a arquitetura brasileira contemporânea.
Um dos desafios mais importantes da arquitetura brasileira para Katinsky era criar espaços capazes de acolher as pessoas e contribuir para a vida coletiva. A seguir, alguns dos trabalhos que confirmam a amplitude de sua produção.
Projetada entre 1973 e 1974 em parceria com Hélio Penteado, Hélio Pasta, Ruy Ohtake e Alfred Talaat, a Central Telefônica de Campos do Jordão é considerada uma das obras mais expressivas de sua trajetória. O edifício se destaca pela solução estrutural ousada, apoiada em apenas dois pontos centrais e marcada por balanços laterais de 18 metros que conferem leveza ao conjunto.
Central Telefônica de Campos do Jordão (Arquivo Ruy Ohtake/Divulgação)
Em 1970, Katinsky integrou a equipe coordenada por Paulo Mendes da Rocha responsável pelo desenvolvimento do Pavilhão do Brasil na Expo 70, realizada em Osaka, no Japão. O projeto apresentou ao público internacional uma arquitetura brasileira experimental, marcada pelo forte teor cívico e de crítica social contra o endurecimento da ditadura militar.
Pavilhão do Brasil na Expo 70 (Arquivo Paulo Mendes da Rocha/Divulgação)
Desenvolvido em parceria com Oswaldo Corrêa Gonçalves e Abrahão Sanovicz, o projeto do Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos, surgiu no início da década de 1960 e tornou-se uma referência da arquitetura cultural paulista. O complexo foi concebido para reunir diferentes atividades artísticas e educacionais em um único conjunto.
Teatro Municipal Braz Cubas (Eduardo Malta/Prefeitura de Santos/Divulgação)
Além da arquitetura, Julio Katinsky teve atuação relevante no design de mobiliário. Em 1959, projetou a Poltrona Katinsky, peça produzida durante sua passagem pelo L'Atelier. Anos depois, criou a Banqueta Katinsky, também chamada de Tamborete Katinsky. As peças se destacam pela simplicidade formal, leveza visual e atenção ao uso cotidiano.
Poltrona Katinsky (Studio Mais Móveis/Divulgação)
Construída entre 1965 e 1973, a residência do arquiteto em Perdizes é frequentemente citada como uma síntese de suas ideias sobre habitação. Implantada em um terreno em declive, a casa organiza os ambientes em diferentes níveis conectados por uma escada helicoidal. A estrutura de concreto aparente, a abundante entrada de luz natural e a integração com a tecnologia revelam princípios que acompanharam Katinsky ao longo da carreira.
Casa de Katinsky (Nelson Kon/Divulgação)
Durante os anos 1970, Katinsky integrou a Divisão de Arquitetura e Urbanismo da Companhia Energética de São Paulo (CESP). Nesse período, participou dos projetos ligados às usinas de Xavantes e Corumbataí, desenvolvendo soluções voltadas não apenas à infraestrutura energética, mas também aos espaços destinados aos trabalhadores.
Usina de Corumbataí (Fundação de Energia e Saneamento/Divulgação)
Em 1986, Julio Katinsky passou a integrar a equipe coordenada por Oscar Niemeyer para o desenvolvimento do Parque do Tietê. O projeto buscava requalificar as margens do principal rio da capital paulista, incluindo um Centro Cívico, praias artificiais e um imenso jardim, porém acabou não saindo do papel.