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Arquitetura, Profissionais

Como arquitetos estão usando inteligência artificial no dia a dia?

A inteligência artificial já é realidade incontornável no universo da arquitetura — ampliando as fronteiras da criação e otimizando os processos

Por Milena Garcia

Publicado em 20 de out. de 2025, 9:00

08 min de leitura
A inteligência artificial já é realidade incontornável no universo da arquitetura — ampliando as fronteiras da criação e otimizando os processos

A inteligência artificial já é realidade incontornável no universo da arquitetura — ampliando as fronteiras da criação e otimizando os processos (CASACOR/CASACOR)

A inteligência artificial está redefinindo o modo como os arquitetos projetam, planejam e se relacionam com os espaços. Se antes as ferramentas digitais serviam apenas para modelar ou renderizar, agora elas aprendem com dados, sugerem soluções e ajudam a prever impactos ambientais e comportamentais com precisão inédita.

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Mais do que um recurso técnico, a IA se tornou uma aliada estratégica no processo criativo dos arquitetos. Yara Elias, Gabriel Rosa e Guto Requena são alguns dos profissionais da CASACOR que aderiram à tecnologia em suas rotinas – ampliando suas possibilidades de experimentação, reduzindo o tempo das tarefas e estimulando novas formas de pensar a arquitetura.

Os arquitetos são adeptos à Inteligência Artificial em seus projetos?


Em entrevista à CASACOR, os três arquitetos afirmam que as ferramentas de IA são parte integrante dos seus trabalhos. “Já usei no processo criativo. Acho que é comum ter bloqueios às vezes durante essa etapa. Prazos apertados e bloqueios criativos não são uma boa combinação e, nesse caso, um prompt editado algumas vezes pode ser uma opção”, conta Yara Elias.

Gabriel Rosa - Adega Legado. Projeto da CASACOR São Paulo 2025.
Gabriel Rosa relembra que, inclusive, teve a IA como aliada no desenvolvimento de seu projeto para a CASACOR SP 2025. “No início, todas as imagens eram geradas através de uma IA. Isso facilitou que tanto o meu público quanto a curadoria [de CASACOR] entendessem a mensagem que eu queria passar sobre a vivência das pessoas negras com o vinho. Consegui me posicionar de forma clara antes de ter um projeto 100% pronto”.

Em quais etapas a inteligência artificial se faz útil na arquitetura?


As respostas dos arquitetos são as mais diversas possíveis quanto às aplicações da IA na arquitetura. Guto Requena cita os usos para auxiliar na composição de plantas, visualização de projetos, organização pessoal e até paginação de pisos. “A inteligência artificial faz parte do cotidiano da empresa hoje”, pontua.

Instalação
Por sua vez, Gabriel também utiliza a ferramenta para ‘limpar’ os briefings dos clientes e agilizar as postagens em suas redes sociais. Yara reserva seus usos da IA aos processos internos da arquitetura, porém garante: “Eu sei que exploro pouco a IA levando em consideração o que ela tem a me oferecer, mas todas as vezes em que a usei foi buscando otimizar meu tempo e organizar minhas ideias”.

E os clientes, como têm lidado com a modernização dos trabalhos?


Uma curiosidade trazida pelos profissionais da CASACOR é que seus clientes não costumam demonstrar estranhamento quanto ao uso da inteligência artificial na arquitetura – pelo contrário, muitos revelam ser adeptos às ferramentas! “Muitos deles já chegam ao escritório com ideias do que querem, e eu acho isso positivo. As IAs trazem uma maneira democrática de os clientes mostrarem o que gostam. Os escritórios de arquitetura vão precisar se adaptar a isso”, opina Guto.

Memórias Deca revisita a trajetória de 75 anos da marca na CASACOR SP. Foto do Branded da Deca na CASACOR SP 2024.
Ao contrário, Yara expõe uma preocupação em relação aos usos pelos clientes: “Eu já vejo alguns clientes usando a IA para expor suas expectativas, ideias e desejos. Não vejo problema nisso, mas me preocupa quando esse perfil de cliente tenta ditar as regras do projeto através de uma simulação”.

Inteligência Artificial x Inteligência Autoral: como equilibrar?


As experiências práticas dos entrevistados – além de tantos outros arquitetos adeptos à inteligência artificial – não negam o poder das ferramentas em otimizar os processos. No entanto, um grande impasse que segue na área é como equilibrar esses usos à sensibilidade humana.

Yara Elias - Quarto de Bebê Gruta. Projeto da CASACOR São Paulo 2025.
“Eu acho importante manter sempre o contato humano com o meu cliente. Prezando sempre por um bom atendimento, uma boa apresentação do projeto, uma boa explicação… Enfim, acolhê-lo de uma forma que nenhuma inteligência artificial ou robô atenderia”, conclui Gabriel Rosa. Enquanto Guto Requena destaca a importância da afetividade, Yara Elias finaliza: “Até podemos criar novos programas e algoritmos. Mas não acho que seja possível que algum resultado substitua o relacionamento entre cliente e arquiteto, capaz de desenhar até o que não foi falado”.