De soluções construtivas de baixo impacto ao reaproveitamento de edifícios existentes, projetos mostram como a arquitetura pode ampliar o acesso à educação e fortalecer vínculos com a comunidade e o território
Publicado em 12 de mar. de 2026, 8:00

(Reprodução/CASACOR)
Em diferentes regiões do Brasil, projetos de escolas têm incorporado princípios de sustentabilidade, integração com o entorno e abertura à comunidade. Ao combinar estratégias ambientais, uso de materiais locais e espaços coletivos de convivência, essas iniciativas mostram como o ambiente construído pode influenciar diretamente a experiência de ensino e aprendizagem.
Módulo João de Barro, por MACh Arquitetos e BIRI. (Jomar Bragança/CASACOR)
Em contextos que vão de áreas rurais a periferias urbanas e antigos complexos industriais adaptados, a arquitetura aparece como ferramenta para estimular novas formas de ocupação e encontro. Os projetos a seguir ilustram como diferentes soluções arquitetônicas podem contribuir para ampliar as possibilidades de ensinar e aprender no país. Confira!
Módulo João de Barro, por MACh Arquitetos e BIRI. (Jomar Bragança/CASACOR)
Projetado pelos escritórios MACh Arquitetos e BIRI, o Módulo João de Barro foi concluído em 2023 na Escola Vila Ninho, em Lagoa Santa, Minas Gerais. Com cerca de 108 m², o edifício integra um plano de expansão da escola voltado a práticas pedagógicas ligadas à natureza e à sustentabilidade. Implantado em uma área de Cerrado próxima à bacia do Rio das Velhas, o projeto busca estabelecer uma relação direta entre arquitetura, aprendizado e paisagem, valorizando o contato das crianças com o ambiente natural.
Módulo João de Barro, por MACh Arquitetos e BIRI. (Jomar Bragança/CASACOR)
A construção privilegia materiais leves e sistemas industrializados, como madeira, vidro, policarbonato e drywall, que permitem montagem rápida, menor impacto ambiental e até a participação da comunidade. A proposta também utiliza ventilação cruzada e iluminação natural, reduzindo o consumo de energia, além de soluções simples para conforto térmico e acústico. Com linguagem discreta e flexível, o módulo foi pensado para crescer ao longo do tempo, acompanhando as necessidades da escola .
Uma Escola Sustentável Brasil, por Sem Muros Arquitetura Integrada. (Paula Monroy e Emilio Echevarría/CASACOR)
Na zona rural de Mogi das Cruzes, município da região metropolitana de São Paulo, a ampliação da Escola Municipal Rural Nossa Senhora da Conceição deu origem ao projeto Uma Escola Sustentável Brasil, concluído em 2024 pelo escritório Sem Muros Arquitetura Integrada. A intervenção faz parte do programa latino-americano Una Escuela Sustentable, da ONG TAGMA, que promove edifícios educacionais de baixo impacto ambiental. A escola ocupava um prédio dos anos 1950 com infraestrutura precária, e o projeto buscou melhorar os espaços existentes enquanto ampliava a área coberta e as condições de uso para alunos e professores.
Uma Escola Sustentável Brasil, por Sem Muros Arquitetura Integrada. (Paula Monroy e Emilio Echevarría/CASACOR)
A proposta combina materiais naturais e soluções ecológicas, com novas estruturas em madeira e sistemas leves de construção. Entre as estratégias sustentáveis estão o tratamento ecológico de águas residuais, o uso de teto verde, além de elementos construídos com recursos locais, como preenchimento com palha e mobiliário feito a partir de sobras de madeira. Um dos espaços centrais é uma sala multiuso de formato poligonal, com paredes de terra compactada e abertura zenital que traz luz natural, criando um ambiente lúdico e integrado à paisagem. Todo o processo foi desenvolvido de forma participativa, envolvendo comunidade escolar e estudantes na concepção e na obra.
(Divulgação/CASACOR)
Em meio à paisagem do Cerrado em Formoso do Araguaia, no Tocantins, o projeto Moradias Infantis reorganiza a área residencial da Escola Canuanã, instituição rural mantida pela Fundação Bradesco. Concluído em 2017, o conjunto foi desenvolvido pelos escritórios Aleph Zero e Rosenbaum para abrigar estudantes que vivem em regime de internato. Em vez de grandes dormitórios coletivos, a proposta cria pequenas unidades de moradia organizadas em duas vilas — masculina e feminina — com espaços que buscam aproximar a escola da ideia de casa e fortalecer o sentimento de pertencimento entre os alunos.
(Leonardo Finotti, Diego Cognato e Galeria Experiência/CASACOR)
A arquitetura combina técnicas construtivas locais e materiais naturais, como madeira e tijolos produzidos manualmente no próprio local. Grandes coberturas ventiladas e áreas abertas — com varandas, pátios, redários e salas de convivência — favorecem conforto climático e o convívio entre os estudantes. O projeto também foi desenvolvido com forte participação da comunidade escolar, incorporando referências culturais e saberes construtivos da região.
Escola de Ensino Médio SESC Barra, por Indio da Costa Arquitetura. (Pedro Kok/CASACOR)
Na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, um amplo campus educacional reúne ensino, moradia e espaços culturais em um único conjunto. A Escola de Ensino Médio SESC Barra, projetada pelo escritório Indio da Costa Arquitetura e concluída em 2007, foi concebida para receber cerca de 500 alunos de todo o país, que vivem e estudam no local. Implantado em um terreno de aproximadamente 130 mil m², o projeto segue o modelo de escolas-campus, organizando diferentes edifícios — salas de aula, biblioteca, restaurante, teatro, alojamentos e áreas esportivas.
Escola de Ensino Médio SESC Barra, por Indio da Costa Arquitetura. (Pedro Kok/CASACOR)
O conjunto se estrutura ao redor de um lago central, com circulação feita por vias internas e ciclovias que conectam os diversos blocos. A arquitetura utiliza concreto, aço e madeira, combinados a grandes áreas abertas e espaços de convivência que integram os edifícios à paisagem. O projeto também incorpora estratégias ambientais, como telhados verdes, reuso de água e sistemas eficientes de infraestrutura.
Escola FDE Várzea Paulista, por FGMF Arquitetos. (FGMF/CASACOR)
Implantada em um terreno acidentado em Várzea Paulista,a Escola FDE Várzea Paulista foi concluída em 2008 como parte de um programa da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), do governo paulista. O projeto é assinado pelo escritório FGMF Arquitetos e busca aproximar a escola da vida urbana do entorno. Para isso, o terreno foi reorganizado de forma a criar uma grande praça de acesso que pode ser utilizada pela comunidade como área de convivência e lazer.
Escola FDE Várzea Paulista, por FGMF Arquitetos. (FGMF/CASACOR)
A arquitetura utiliza estrutura pré-moldada de concreto, escolhida pela rapidez de montagem, custo acessível e qualidade construtiva. O conjunto é formado por um bloco de três pavimentos com salas de aula e outro volume térreo que abriga a quadra poliesportiva e um galpão coberto multiuso, aberto para os pátios externos. Elementos vazados de concreto na fachada filtram a luz natural e criam um grande painel que muda de aparência ao longo do dia, enquanto coberturas e superfícies perfuradas ajudam a sombrear os espaços e reforçam a relação entre interior e exterior.
Beacon School, por Andrade Morettin Arquitetos e GOAA. (Nelson Kon/CASACOR)
Instalada em antigos galpões industriais na zona sul de São Paulo, a Beacon School transforma um conjunto pré-existente em um campus escolar contemporâneo voltado ao ensino infantil, fundamental e médio. Concluído em 2016, o projeto foi desenvolvido pelos escritórios Andrade Morettin Arquitetos e GOAA – Gusmão Otero Arquitetos Associados e aposta na reutilização das estruturas industriais como estratégia central. Em vez de demolir e reconstruir, a proposta adapta os grandes galpões para abrigar salas de aula, áreas administrativas e espaços coletivos, preservando a memória do lugar e reduzindo o impacto da obra.
Beacon School, por Andrade Morettin Arquitetos e GOAA. (Nelson Kon/CASACOR)
A intervenção introduz estruturas leves e sistemas construtivos industrializados dentro dos volumes existentes, criando ambientes flexíveis e bem iluminados. Materiais como concreto aparente, madeira, vidro e elementos metálicos ajudam a articular o antigo e o novo, enquanto pátios e áreas de circulação favorecem o convívio entre alunos de diferentes idades. O resultado é um campus que valoriza integração, transparência e reaproveitamento, transformando a antiga área industrial em um espaço educacional aberto e dinâmico.
Fundação Zerrenner, por Gustavo Penna Arquiteto e Associados. (Jomar Bragança/CASACOR)
Na periferia de Sete Lagoas, Minas Gerais, a Unidade Educacional da Fundação Zerrenner foi implantada em um grande terreno próximo à Serra de Santa Helena, em uma área de perfil predominantemente residencial e de baixa renda. Concluído em 2016, o projeto do escritório Gustavo Penna Arquiteto e Associados propõe um complexo educacional capaz de transformar o entorno por meio da educação e da convivência. A escola reúne ensino fundamental, médio e técnico em um campus pensado para acolher milhares de estudantes e integrar atividades pedagógicas, esportivas e culturais.
Fundação Zerrenner, por Gustavo Penna Arquiteto e Associados. (Jomar Bragança/CASACOR)
O conjunto é organizado em três blocos principais — dois destinados às áreas de ensino e um central que abriga auditório e ginásio — conectados por uma grande praça interna, espaço de encontro da vida no campus. Um pórtico curvo metálico marca a entrada e articula os volumes, enquanto brises e painéis leves ajudam a controlar a incidência solar e favorecer a ventilação natural. Construído com estrutura de concreto e aço, o projeto prioriza organização clara, conforto ambiental e amplas áreas abertas, com mais de 8 mil m² de áreas verdes, criando um espaço educativo integrado à paisagem.