Na
construção ou reforma de uma residência, o
planejamento elétrico é um aspecto frequentemente negligenciado. No entanto, a correta
organização dos pontos de tomada faz diferença não "apenas" no conforto e na praticidade dos moradores, mas também na
segurança da casa. Um projeto bem elaborado
evita improvisos, sobrecargas e transtornos futuros – tornando a rotina mais funcional!
De acordo com o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, pensar os pontos de tomada desde a fase de projeto é essencial. Isso envolve
avaliar a planta baixa, a posição do mobiliário, os equipamentos que serão utilizados e até os padrões de amperagem adequados para cada ambiente. Com base em sua experiência, o profissional compartilha orientações valiosas que ajudam a estruturar essa questão de forma inteligente e duradoura.
1. Segurança e planejamento desde o início
Antes de falar em quantidades e posições, é preciso entender a
importância do planejamento profissional. “É muito comum vermos casas com instalações realizadas por ‘conhecidos de conhecidos’, de forma improvisada ou que não seguem as normas de segurança estabelecidas. Essa prática resulta em sobrecargas, curtos-circuitos e até incêndios, colocando em risco a vida dos ocupantes. Por isso, o projeto concebido por um profissional é um investimento que compensa, pois ratifica a tranquilidade aos moradores e evita futuras dores de cabeça”, ressalta o arquiteto.
Assim, elaborar um
levantamento detalhado com todos os equipamentos da casa é um passo essencial. Esse mapa de uso, quando associado ao estudo da
planta baixa,
ajuda a determinar tanto a quantidade quanto a altura e o posicionamento adequado dos pontos de tomada em cada ambiente.
2. Quantidade ideal de pontos de tomada
“Quantos pontos de tomada devem ter num cômodo?” A resposta, segundo Bruno Moraes, é que não existe uma quantidade correta de tomadas e o fator determinante está nas
particularidades do ambiente e nas necessidades individuais. Assim, é preciso analisar o que cada espaço pede, quantos eletrodomésticos e outros equipamentos elétricos serão considerados e as possibilidades de uso em cada local. “Trabalhamos com uma premissa inspirada em um dito popular: ‘
é melhor sobrar do que faltar”, enfatiza.
Projeto de BMA Studio. (Luis Gomes/Divulgação)
Essa lógica se aplica especialmente em
áreas como salas, cozinhas e livings, onde há grande rotatividade de aparelhos. Já em
banheiros e lavabos, a demanda costuma ser mais reduzida. “Embora a arquitetura nos indique uma referência, a medida certa está na
rotina que o morador almeja para o imóvel”, complementa o profissional.
3. Estratégias para cada ambiente
Cada espaço da casa possui
demandas específicas quando se trata de pontos de tomada.
Cozinha e banheiro
São
áreas de cuidado devido ao contato com a água e pela quantidade de equipamentos de maior potência. Na
cozinha, o ideal é prever
pontos a cada 1,5 a 2 metros ao longo das bancadas, além de tomadas extras para eletrodomésticos fixos como
geladeira, forno e cooktop. No banheiro, a atenção envolve não apenas a distância da pia, mas também a
escolha por tomadas de maior amperagem para secadores e chapinhas.
Carlos Navero e Melissa Camargo - Reflexos da Tradição. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (MCA Estúdio/CASACOR)
Quarto e home office
Em dormitórios,
a altura recomendada varia entre 30 e 45 cm do piso, ajustada de acordo com a posição da cama e criados-mudos. Já em
home offices, a praticidade vem da
previsão de pontos tanto abaixo quanto acima da bancada, contemplando notebooks, impressoras e carregadores sem a necessidade de improvisos.
Projeto de Quadriarq. (Cristiano Bauce/CASACOR)
Sala e área de convivência
Nos livings e
home theaters, os pontos de tomada precisam
acompanhar o projeto de automação, a instalação de televisões, projetores e sistemas de som. Nesse contexto,
soluções embutidas em bancadas e marcenarias são interessantes para equipamentos temporários, preservando a estética do ambiente.
Projeto de Anamaria Diniz e Zilda Santiago. (Divulgação/CASACOR)
4. Padrões de amperagem
Outra etapa essencial é considerar os
diferentes padrões de amperagem, que definem a capacidade máxima de corrente que os pontos de tomada podem suportar.
- Tomadas de 10 A: ideais para equipamentos de baixa potência, como luminárias, carregadores de celular e outros aparelhos pequenos.
- Tomadas de 20 A: indicadas para aparelhos de maior consumo, como micro-ondas, ar-condicionado, máquina de lavar e secador de cabelo. São indicadas para cozinhas, lavanderias e banheiros, evitando o uso de adaptadores que comprometem a segurança.
5. Cuidados em áreas externas
As
áreas externas também exigem atenção. Nessas situações, a escolha deve recair sobre
tomadas blindadas, capazes de resistir à umidade e às intempéries. Essa proteção evita infiltrações e garante maior durabilidade das instalações.
Projeto de paisagismo de Anna Luiza Rothier. (André Nazareth/Divulgação)