O Dia Nacional do Arquiteto é convite para revisitar trajetórias que moldaram cidades, modos de vida e estilos que nos influenciam até os dias atuais
Publicado em 15 de dez. de 2025, 11:57

Arquitetos brasileiros (Divulgação/Divulgação)
O Dia Nacional do Arquiteto, comemorado em 15 de dezembro, marca uma oportunidade para revisitar trajetórias que ajudaram a construir a identidade arquitetônica do Brasil. Ao longo das décadas, diferentes profissionais contribuíram para transformar cidades, qualificar espaços públicos, experimentar novas linguagens e estabelecer diálogos entre técnica, cultura e território.
Pensando nisso, destacamos abaixo 15 arquitetos brasileiros que deixaram impactos duradouros na forma como o país pensa e produz arquitetura. Da consolidação do modernismo às práticas contemporâneas, passando pelo urbanismo, pelo paisagismo e pelo design de interiores, esses arquitetos e arquitetas ampliaram o repertório profissional e ajudaram a definir referências que seguem orientando debates, projetos e modos de habitar até hoje.

Figura central da arquitetura moderna mundial, Oscar Niemeyer é o arquiteto cuja linguagem única redefiniu a identidade do país. Seus desenhos, sempre sensoriais e esculturais, transformaram Brasília em um marco urbano e consolidaram sua visão poética de espaço. Entre obras emblemáticas, estão a Catedral de Brasília, o Congresso Nacional e a Sede das Nações Unidas, em Nova York.
(Reprodução/Divulgação)
Lina Bo Bardi foi uma arquiteta reconhecida pela valorização do uso social dos espaços e pela integração entre cultura popular, técnica e arquitetura. Entre seus principais projetos estão o MASP, cujo vão livre redefine a relação entre edifício e cidade, e o Sesc Pompeia, um exemplo de requalificação industrial voltada à convivência coletiva. Sua produção influenciou gerações ao propor uma arquitetura acessível, funcional e profundamente conectada ao cotidiano.
(Divulgação/Divulgação)
Responsável pelo plano urbanístico de Brasília, Lúcio Costa pensava a cidade como organismo vivo, sempre em diálogo com paisagem, mobilidade e vida cotidiana. Seu traço racional, porém sensível, aparece no urbanismo do Plano Piloto e em reflexões essenciais sobre a arquitetura moderna brasileira. Como arquiteto, deixou uma obra intelectual que segue orientando debates sobre patrimônio e planejamento.
(Itaú Cultural/Divulgação)
Fundador da chamada Escola Paulista, Vilanova Artigas deixou obras de forte caráter social e expressão estrutural. A FAU-USP, um de seus projetos mais emblemáticos, sintetiza sua visão de arquitetura como espaço democrático e contínuo. Como arquiteto e professor, influenciou gerações com pensamento crítico e abordagem comprometida com o coletivo.
Ruy Ohtake. (Galeria da Arquitetura/Divulgação)
Ruy Ohtake se destacou pelo domínio das formas geométricas e pelo uso expressivo da cor. O arquiteto deixou obras marcantes no cenário paulista, como o Hotel Unique e os edifícios da Heliópolis, que integram arquitetura e impacto social. Sua assinatura é reconhecida pela combinação entre rigor técnico e uma ousadia visual que dialoga com a paisagem urbana.
(Reprodução/Divulgação)
Paulo Mendes da Rocha é reconhecido internacionalmente por sua precisão técnica e coragem formal. Seu uso singular do concreto revela uma arquitetura de grande integridade estrutural e social. Entre suas obras mais conhecidas estão o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e a reforma da Pinacoteca de São Paulo, ambos exemplos de como o arquiteto unia monumentalidade e delicadeza nos projetos.
Quadro Cabeça de Negro, 1934 | João Candido Portinari (Google Arts&Culture/Divulgação)
Joaquim Pinto de Oliveira, mais conhecido com Tebas, foi um arquiteto negro escravizado que deixou sua marca em edifícios históricos de São Paulo, como a antiga Catedral da Sé. Sua habilidade no trabalho com pedra revelou excelência técnica em um contexto adverso, e seu reconhecimento tardio reforça a necessidade de ampliar perspectivas sobre o patrimônio brasileiro. Hoje, sua figura simboliza resistência, criatividade e ancestralidade negra na arquitetura.
Arinda da Cruz Sobral. (Fundação Biblioteca Nacional/Divulgação)
Arinda da Cruz Sobral é reconhecida como a primeira arquiteta diplomada do Brasil, formada em 1917 pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em um contexto majoritariamente masculino, sua presença marca um momento pioneiro na inserção das mulheres na profissão no país. Embora haja poucos registros detalhados sobre sua atuação profissional, sua formação representa um marco simbólico e histórico para a arquitetura brasileira, abrindo caminhos para gerações posteriores de arquitetas e consolidando a presença feminina no campo da arquitetura e do urbanismo.
Burle Marx. (Instituto Burle Marx/Divulgação)
Roberto Burle Marx foi um arquiteto paisagista responsável por introduzir uma abordagem moderna no paisagismo brasileiro, ao integrar botânica, artes visuais e desenho urbano. Seu trabalho valorizou espécies nativas e reorganizou a relação entre vegetação e espaço construído. Entre seus projetos mais conhecidos estão o Aterro do Flamengo e o calçadão de Copacabana, ambos no Rio de Janeiro, referências na estruturação de espaços públicos e na consolidação do paisagismo como disciplina fundamental na arquitetura brasileira.

Pioneira do paisagismo moderno no Brasil, Rosa Grena Kliass atuou de forma decisiva na qualificação dos espaços públicos. O Parque da Juventude, em São Paulo, é um de seus marcos, transformando uma antiga penitenciária em lugar de convivência e memória. Além disso, ganhou destaque pelo paisagismo da Avenida Paulista e do Vale do Anhangabaú.
Mayumi Souza Lima. (Divulgação/Divulgação)
Mayumi Souza Lima dedicou-se ao estudo da relação entre arquitetura e educação, propondo espaços escolares centrados na experiência das crianças. A arquiteta pesquisou ergonomia, escala e participação comunitária, contribuindo para políticas públicas e diretrizes pedagógicas. Seu legado articula pesquisa, prática e impacto social.

Lelé foi um arquiteto inventivo, responsável por sistemas construtivos industrializados que renovaram a arquitetura pública brasileira. Sua atuação na Rede Sarah Kubitschek resultou em hospitais reconhecidos pela integração entre técnica, conforto ambiental e eficiência construtiva. Lelé tratava o projeto como processo, sempre atento a soluções sociais e à racionalidade produtiva.
(Divulgação/Divulgação)
Janete Costa destacou-se por integrar arte popular e design à arquitetura de interiores. Seu trabalho é reconhecido pela valorização do artesanato brasileiro e pela fusão harmônica entre obras contemporâneas e elementos tradicionais. Além de centenas de projetos residenciais e comerciais, a arquiteta foi responsável pela curadoria de exposições no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), na Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outras.
Isay Weinfeld. (Blog MPD/Divulgação)
Isay Weinfeld combina arquitetura, design e cinema em uma linguagem de grande refinamento visual. O arquiteto é conhecido por projetos que exploram ritmo, proporção e experiências sensoriais, como os imóveis do Grupo Fasano, as lojas Havaianas e o Edifício 360°, em São Paulo. Sua obra dialoga com sutileza, emoção e discrição, privilegiando linhas retas e atmosferas envolventes.
Márcio Kogan. (Hotel Designs/Divulgação)
Com estética minimalista e altíssima precisão construtiva, Márcio Kogan traduz uma arquitetura brasileira contemporânea que equilibra sombra, luz e materialidade. À frente do Studio MK27, o arquiteto projetou residências e instituições premiadas internacionalmente, sempre com atenção à escala humana e ao gesto artesanal. Seu trabalho é conhecido pela elegância silenciosa e pela relação fluida entre interior e exterior.