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Arquitetura, Dia a Dia

Como preparar a casa para envelhecer com conforto e autonomia

Da largura das portas à escolha do elevador, pequenas decisões de projeto que garantem autonomia em qualquer fase da vida

Por Redação

Publicado em 20 de jun. de 2026, 10:00

08 min de leitura
ARQTAB | Maycon Fogliene - A Casa do Ser. Projeto da CASACOR São Paulo 2023.

ARQTAB | Maycon Fogliene - A Casa do Ser. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Amanda Bibiano/CASACOR)

Envelhecer em casa — expressão que os especialistas chamam de aging in place — é o desejo declarado da maior parte das pessoas quando perguntadas sobre como querem viver a velhice: no próprio lar, com a própria história acumulada nas paredes. Mas para que esse desejo seja viável, a casa precisa ser capaz de acompanhar mudanças que o corpo atravessa no envelhecimento — na mobilidade, no equilíbrio, na visão e na força.

Leticia Nannetti - Âmbar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Leticia Nannetti - Âmbar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

Isso não significa ter uma residência sem personalidade. Significa, antes, tomar decisões de projeto que ampliam a margem de uso do espaço sem comprometer sua identidade. Confira abaixo o que muda quando a casa é pensada para durar tanto quanto quem a habita.

Piso, iluminação e circulação


AD|VP Arquitetura - Estúdio Refúgio de Memórias. Projeto da CASACOR São Paulo 2024.

AD|VP Arquitetura - Estúdio Refúgio de Memórias. “Trouxemos à tona a essência da nostalgia, não como evocação do que já foi, mas como celebração do presente, enriquecido pela bagagem das experiências vividas.” Assim a dupla Andressa Danielli e Vanessa Pasqual apresenta seu estúdio acessível de 88 m². As referências sutis ao tema desta edição da CASACOR começam no piso de formato orgânico, que remete à fluidez do tempo. No painel retroiluminado atrás do sofá, o revestimento com base de argila dá nova vida a resíduos de brita e rejeitos da indústria de placas refratárias. (Carolina Mossin/CASACOR)

As adaptações mais eficazes costumam ser as menos visíveis. Um piso antiderrapante bem escolhido, por exemplo, pode (e deve!) ser feito de materiais com acabamento sofisticado e coeficiente de atrito adequado para banheiros, cozinhas e áreas externas. O mesmo vale para a iluminação: pontos de luz bem distribuídos, sem sombras nos cantos e com acionamento fácil, reduzem riscos e melhoram a qualidade de uso do espaço para qualquer faixa etária.


Na circulação, a largura dos corredores merece atenção desde o projeto — 90 centímetros é o mínimo para um cadeirante, mas 1,20 metro garante conforto real para qualquer pessoa, com ou sem auxílio de locomoção. Portas mais largas, sem soleiras elevadas, e maçanetas do tipo alavanca em vez de redondo também fazem a diferença.

O banheiro como prioridade


ARQTAB | Maycon Fogliene - A Casa do Ser. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. Na foto, banheiro acessível como parede de cobogó, espelho e chuveiro de teto.

ARQTAB | Maycon Fogliene - A Casa do Ser. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Amanda Bibiano/CASACOR)

Se há um cômodo que concentra os maiores riscos e as maiores oportunidades de adaptação, é o banheiro. Box sem desnível, barras de apoio estrategicamente posicionadas e espaço suficiente para movimentação são intervenções que transformam o ambiente sem alterar sua aparência. Um banco embutido no box, por exemplo, é confortável para qualquer pessoa e indispensável para quem tem mobilidade reduzida.

Quando os andares se tornam um obstáculo


Montele Elevadores

Restaurante Raiz, de Marta Martins. (Adriana Barbosa/CASACOR)

Casas de dois ou mais pavimentos colocam uma questão que nenhuma barra de apoio resolve: como continuar usando o espaço inteiro quando subir escadas deixa de ser simples? É aqui que soluções como elevadores residenciais e plataformas elevatórias, como os oferecidos pela Montele Elevadores, entram não como último recurso, mas como decisão de projeto — e, cada vez mais, como elemento de valorização do imóvel.


A instalação pode acontecer em reformas ou obras novas, e o resultado é uma solução que preserva a autonomia sem exigir que a pessoa abandone a casa que construiu.

Planejar cedo é mais barato (e mais inteligente)


Leticia Nannetti - Âmbar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Leticia Nannetti - Âmbar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

A adaptação mais cara é sempre a emergencial. Arquitetos e designers de interiores que trabalham com o conceito de design universal — espaços pensados para funcionar bem para o maior número possível de pessoas, independente de idade ou capacidade física — argumentam que as melhores intervenções são aquelas feitas antes de serem necessárias.


Uma casa pensada para o longo prazo não é um projeto de resignação. É, na maioria das vezes, simplesmente uma casa melhor — mais fácil de usar, mais segura, mais generosa com quem a habita e com quem a visita.