Inserido no parque tecnológico da capital, o World Trace Center Biotic propõe uma cidade mais porosa, onde funções se sobrepõem e se complementam
Publicado em 7 de abr. de 2026, 19:07

(Architects Office/CASACOR)
O escritório brasileiro Architects Office apresenta o projeto do World Trace Center Biotic, um complexo multiuso que integra o novo Parque Tecnológico de Brasília e propõe uma revisão das dinâmicas urbanas da capital federal. Inserido em um masterplan desenvolvido pelo Carlo Ratti Associati, o empreendimento reúne escritórios, residências, hotel, comércio e áreas públicas em uma estrutura contínua e interligada.
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Com cerca de 180 mil m² de área construída em um terreno de 70 mil m², o projeto se afasta da lógica de edifícios isolados e aposta em uma organização mais híbrida, onde diferentes usos compartilham infraestrutura e convivem em um mesmo sistema urbano.
(Architects Office/CASACOR)
Mais do que um conjunto de volumes, o WTC Biotic funciona como uma espécie de “plataforma urbana”, pensada para operar com diferentes intensidades de uso. A proposta busca reduzir a separação rígida entre morar, trabalhar e circular — um traço marcante do urbanismo modernista de Brasília — e criar um ambiente mais dinâmico e conectado.
No centro do projeto está o conceito de “reprogramar” a cidade. Isso se traduz em uma arquitetura capaz de se adaptar ao longo do tempo, com edifícios que podem mudar de função conforme novas demandas surgem. Para viabilizar essa flexibilidade, o conjunto adota uma malha estrutural modular de 8 x 8 metros, que facilita alterações de layout e racionaliza a construção e a manutenção.
(Architects Office/CASACOR)
Outro aspecto central é a relação com o território. Em vez de apostar na verticalização, o projeto se desenvolve predominantemente na horizontal, ocupando o terreno com volumes baixos e conectados por uma grande superfície contínua — uma espécie de “manta” arquitetônica que funciona simultaneamente como piso, cobertura e elemento de circulação.
Essa superfície organiza fluxos, cria áreas de sombra e estabelece continuidade entre edifícios e espaços abertos, reforçando a experiência do pedestre. Ao tocar o solo, a arquitetura se dilui em praças, jardins e terraços, ampliando a integração entre construção e paisagem.
(Architects Office/CASACOR)
As estratégias ambientais combinam soluções como orientação solar, ventilação natural e controle de sombreamento a painéis fotovoltaicos e sistemas de captação de água. Lajes mais estreitas favorecem a entrada de luz natural, enquanto brises, terraços e coberturas vegetadas ajudam no conforto térmico e na eficiência energética.