Do Brasil à Europa, esses projetos icônicos da arquitetura moderna ajudaram a redefinir a relação entre forma, função e cidade
Publicado em 9 de mar. de 2026, 15:40

Edifício Copan. (Nelson Kon/Divulgação)
A história da arquitetura moderna é marcada por uma profunda transformação na forma de pensar os espaços. A partir do início do século XX, arquitetos passaram a questionar os estilos ornamentados do passado e buscar uma linguagem mais direta, baseada em função, estrutura e tecnologia. O resultado foi uma nova estética, que privilegia linhas claras, materiais industriais e uma relação mais racional entre edifício e cidade.
Ao longo das décadas, alguns projetos tornaram-se verdadeiros marcos dessa mudança. Espalhados por diferentes países e contextos culturais, esses edifícios ajudam a entender como a arquitetura moderna se consolidou e ganhou interpretações diversas. A seguir, dez obras fundamentais que atravessam o tempo e continuam influenciando a maneira como pensamos a arquitetura.
Projetado por Lina Bo Bardi e inaugurado em 1968, o Museu de Arte de São Paulo tornou-se um dos ícones mais reconhecíveis da cidade. Suspenso por dois grandes pórticos vermelhos, o edifício cria um vão livre de 74 metros que preserva a vista da Avenida Paulista e reforça a ideia de espaço público.
(Leonardo Finotti/Divulgação)
O projeto traduz princípios importantes da arquitetura moderna, como a honestidade estrutural e a integração com o entorno urbano. O vão aberto no térreo transformou-se em ponto de encontro e demonstra como arquitetura e vida pública podem se cruzar de maneira natural.
No coração de Brasília, o conjunto projetado por Oscar Niemeyer tornou-se uma das imagens mais emblemáticas da capital. As duas cúpulas — uma convexa e outra côncava — dialogam com as torres administrativas que se erguem ao fundo.
Palácio do Congresso Nacional, por Oscar Niemeyer - Brasília, Brasil (Divulgação/Divulgação)
O projeto sintetiza a dimensão simbólica da arquitetura moderna no Brasil. A composição geométrica simples, associada ao planejamento urbano de Lúcio Costa, revela como arquitetura e urbanismo podem trabalhar juntos na construção de uma identidade nacional.
Projetada por Le Corbusier entre 1928 e 1931, na França, a Villa Savoye é frequentemente citada como a materialização dos “cinco pontos da nova arquitetura”: pilotis, planta livre, fachada livre, janelas em fita e terraço-jardim organizam o edifício.
Villa Savoye, projetada por Le Corbusier em Poissy, França, é um ícone da arquitetura modernista e um marco inicial do conceito aberto. Com planta livre, pilotis e janelas em fita, a casa oferece espaços integrados e circulação fluida, antecipando princípios que influenciam projetos residenciais até hoje. (Chrys Hadrian/Divulgação)
A casa representa um momento decisivo da arquitetura moderna, ao propor uma nova forma de habitar baseada na flexibilidade espacial e na integração entre arquitetura e movimento.
Projetado por Walter Gropius e inaugurado em 1926, em Dessau, o edifício da Bauhaus tornou-se uma das imagens mais emblemáticas da arquitetura moderna. O conjunto é organizado em volumes interligados que acomodavam diferentes funções da escola — oficinas, salas de aula, dormitórios e administração — evidenciando uma clara lógica funcional.
Bauhaus (A.Savin/Creative Commons/Divulgação)
Um dos elementos mais marcantes do projeto é a fachada contínua de vidro das oficinas, sustentada por uma estrutura independente. Essa solução reforça a leveza visual do edifício e evidencia a separação entre estrutura e fechamento, princípio fundamental da arquitetura moderna.
Localizada em Illinois, nos Estados Unidos, a Casa Farnsworth foi projetada por Ludwig Mies van der Rohe e concluída em 1951. A residência é elevada do solo e formada essencialmente por duas lajes horizontais sustentadas por pilares metálicos.
Farnsworth House, 1949, Plano, Illinois, USA - Mies van der Rohe. (Divulgação/Divulgação)
O projeto tornou-se referência na arquitetura moderna por sua transparência radical. As paredes de vidro eliminam a separação rígida entre interior e exterior, permitindo que a paisagem se torne parte integrante da experiência doméstica.
Com sua curva marcante no centro de São Paulo, o Copan é um dos projetos mais conhecidos de Oscar Niemeyer. Construído entre as décadas de 1950 e 1960, o edifício reúne residências, comércio e áreas de convivência em um único conjunto.
(Reprodução/Divulgação)
A escala urbana do projeto revela um aspecto importante da arquitetura moderna brasileira: a busca por soluções habitacionais densas e integradas à vida da cidade.
Projetada por Frank Lloyd Wright em 1935, na Pensilvânia, a Casa da Cascata tornou-se uma das residências mais famosas do século XX. O projeto se organiza em plataformas horizontais que avançam sobre a paisagem natural.
Casa da Cascata, 1935, Mill Run, Pennsylvania, USA - Frank Lloyd Wright (Divulgação/Divulgação)
Embora dialogue com a natureza de forma intensa, a casa também reflete princípios da arquitetura moderna, especialmente na liberdade formal e na maneira como estrutura e espaço se articulam.
Projetada por Walter Gropius e Adolf Meyer em 1911, na Alemanha, a Fábrica Fagus é considerada um dos primeiros exemplos do movimento moderno. A fachada de vidro contínua rompeu com o modelo industrial pesado típico da época.
Fábrica Fagus (Traveler/Creative Commons/Divulgação)
O edifício antecipou características que mais tarde se tornariam centrais na arquitetura moderna, como transparência, leveza visual e clareza estrutural.
O Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, em São Paulo, foi projetado por Paulo Mendes da Rocha e inaugurado em 1995. O edifício organiza-se a partir de uma grande viga de concreto aparente que marca a paisagem e define o espaço principal.
MUBE, Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia, assinado por Paulo Mendes da Rocha (Nelson Kon/Divulgação)
A obra exemplifica a potência expressiva do concreto na arquitetura moderna brasileira. Ao mesmo tempo em que o gesto estrutural é monumental, o museu se mantém aberto e permeável, integrando áreas expositivas com jardins e espaços externos.
Inaugurada em 1973 e projetada pelo arquiteto dinamarquês Jørn Utzon, a Ópera de Sydney tornou-se um dos edifícios mais reconhecidos do mundo. Suas coberturas curvas evocam velas ou conchas, criando uma silhueta singular na paisagem do porto.
Sydney Opera House, na Austrália. (Reprodução/Divulgação)
Embora apresente uma linguagem escultural, a obra também dialoga com os princípios da arquitetura moderna, ao explorar novas possibilidades estruturais e tecnológicas.