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Em vez de muros, transparência: intervenção da Muxarabi redesenha a chegada à CASACOR São Paulo 2026

Sem encobrir os edifícios históricos nem isolar a CASACOR do contexto do Parque da Água Branca, a cenografia com painéis metálicos vazados abraça delicadamente o perímetro da mostra. A dupla do escritório Favaro Arquitetos Associados idealizou a solução, que incita a curiosidade e convida a um olhar de fora para dentro

Por Redação

Publicado em 10 de jun. de 2026, 14:07

05 min de leitura
Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

Delimitar uma exposição ao ar livre envolve questões de segurança, acesso do público e, ainda, de estética. Quando ela acontece em uma área pública tombada, os desafios só crescem. “A gente encontra uma quantidade muito maior de negativas do que de possibilidades”, afirma o arquiteto José Luiz Favaro, que, com Yuri Matsui Ramos, foi convidado pela curadoria da CASACOR a resolver o fechamento do perímetro da edição paulistana de 2026. A resposta surgiu em parceria com a Muxarabi, fornecedora das chapas de aço-carbono utilizadas no ambiente Galeria Muxarabi.


A instalação efêmera, com 400 m de extensão e materiais resistentes a sol e chuva, passou por várias aprovações, em especial as dos órgãos municipal e estadual de patrimônio histórico (Conpresp e Condephaat, respectivamente).

Rendas de metal

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

O projeto, que pretende “possibilitar uma leitura do sensorial, do intangível”, como explica José Luiz, se vale de 52 chapas de aço-carbono recortadas a laser, no modelo MXB 1079, da linha Aurora Tropical, com 1,50 m de altura e 3 m de largura.


Elas são autoportantes – para que fiquem de pé, só precisam ser instaladas em zigue-zague e fixadas em sapatas de concreto com 20 cm de altura (as quais atendem à prerrogativa de apenas se sobrepor ao piso).


Além desse invólucro, os arquitetos planejaram uma galeria de entrada com quase 20 m de comprimento, coberta e levemente labiríntica, montada com os mesmos muxarabis. A disposição garante jogos de luz e sombra em um pórtico que faz a transição entre a área idílica do Parque e o espaço expositivo. “Com essa intervenção, propomos o tempo do tempo, do olhar, de perceber as diferentes camadas, a natureza, as construções. Trabalhamos a volumetria para causar surpresa”, prossegue José Luiz. Nas palavras do diretor de operações da CASACOR, Darlan Firmato, “quando o visitante chega à galeria, ele entra em outro universo. Diminui o ritmo para degustar o que vem pela frente”.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

O padrão dos painéis foi selecionado entre as opções do catálogo do fornecedor por responder bem a um critério técnico decisivo: “Quanto mais vazada a placa, mais permeável ao vento ela é, o que para nós é positivo, e não apenas pela circulação de ar e pela visibilidade permitidas”, afirma José Luiz. Segundo ele, uma chapa mais fechada criaria mais oposição a rajadas e, com isso, poderia requerer sapatas maiores. Como cor de acabamento, vingou o corten, que harmoniza com o entorno.

Limites respeitosos

O cercamento exigiu outras soluções, ora para encobrir pontos sem interesse visual, ora para acompanhar a topografia. Os trechos correspondentes às áreas técnicas e de serviço levam painéis cenográficos de madeira, revestidos de tecido num tom que lembra o do aço corten. Onde o solo é mais irregular, veem-se gradis autoportantes – facilmente adaptáveis aos desníveis –, com lona perfurada. Encerrado o evento, os primeiros serão reaproveitados ou irão para reciclagem, com doação do tecido para ONGs. Já os gradis alugados retornam ao fornecedor para reutilização e os painéis metálicos são devolvidos ao fabricante para comercialização.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Sem encobrir os edifícios históricos – conforme exigido pelos órgãos de proteção ao patrimônio – nem isolar a CASACOR do contexto do Parque da Água Branca, a cenografia com painéis metálicos vazados abraça delicadamente os 400 m de perímetro da mostra. Além desse invólucro, os arquitetos planejaram uma galeria de entrada com quase 20 m de comprimento, co­berta e levemente labiríntica, montada com os mesmos muxarabis. A dispo­sição garante jogos de luz e sombra em um pórtico que faz a transição entre a área idílica do Parque e o es­paço expositivo. Autoportantes por terem sido instaladas em zigue-zague, as chapas estão fixadas em sa­patas de concreto com 20 cm de altura (as quais atendem à prerrogativa de apenas se sobrepor ao piso). (Bia Nauiack/CASACOR)

“Neste ano, este fechamento está mais baixo, com 1,70 m de altura, e, portanto, mais convidativo. O frequentador do Parque pode observar tudo através dos muxarabis e, no caso dos mais altos, até por cima deles”, destaca Darlan, lembrando que os jardins e alguns ambientes do térreo são franqueados à visitação gratuita. “A intenção é muito mais aproximar do que segregar”, finaliza José Luiz.