Em sua segunda edição no Parque da Água Branca, a maior mostra de decoração, arquitetura, design e paisagismo das Américas propõe um percurso imersivo entre jardins, instalações e ambientes que refletem o tema Mente e Coração
Publicado em 30 de mai. de 2026, 8:30

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. De um lugar íntimo vem o projeto do arquiteto Nildo José: uma homenagem à memória de seu pai. O verbo selar, ou guardar o que importa, guiou as escolhas, tomando a arquitetura como suporte para o que permanece. No living, uma estante ocupa o pé-direito duplo com livros e fotografias de pai e filho – para alcançar a porção mais alta, há um mezanino, acessível por uma escada helicoidal pintada de roxo. Lembranças da fazenda se expressam na bancada de travertino com figuras rurais esculpidas. Cores terrosas e naturais tingem a área de 213 m², que contém ainda quarto e banheiro. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
A CASACOR São Paulo 2026 apresenta uma edição que convida o público a desacelerar e se reconectar com o que é essencial. Em sua segunda passagem pelo Parque da Água Branca, a mostra propõe uma experiência profundamente ligada à natureza, ao bem-estar e às relações humanas, traduzindo o tema Mente e Coração em um percurso que integra arquitetura, paisagismo, design, cultura e afetividade. Com mais de 10 mil m² de área construída, o evento apresenta 70 ambientes que mesclam arquitetura, paisagismo, design e arte, integrando harmoniosamente casas, estúdios, lofts, tiny houses e instalações em meio à vegetação preservada do parque. Desse percurso, 40% da mostra é aberta ao público, ampliando a integração entre a CASACOR e a vida cotidiana do parque.
Confira todos os ambientes na galeria abaixo!






































































Em meio à presença cada vez mais acelerada da inteligência artificial no cotidiano e aos efeitos provocados pelo excesso de informações, esta edição da CASACOR propõe um convite aos sentidos: uma pausa. O tema Mente e Coração revela a força de outras inteligências — orgânica, psíquica, ancestral — como caminhos para nos religarmos a nós mesmos, aos outros e ao espaço que habitamos.
Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
Logo na chegada, o visitante é envolvido pela atmosfera da edição por meio da fachada de muxarabis desenvolvida por José Luiz Favaro e Yuri Matsui Ramos. Como uma membrana entre o parque e a mostra, a estrutura contorna o perímetro sem ocultar totalmente o interior, preservando transparências e criando uma transição sensível entre dois universos. Seus recortes orgânicos filtram a luz e projetam sombras que se misturam às da vegetação, convidando o público a desacelerar e atravessar, pouco a pouco, para a experiência da CASACOR.
O primeiro jardim da edição, assinado por Ana Lui e Karen Marini, conduz o visitante por um caminho entre flores e folhagens até um dos símbolos da mostra: a bilheteria criada por Viviane Teles. Vista de cima, sua estrutura forma uma grande mandala. O projeto explora o que a arquiteta chama de inteligência orgânica, em diálogo com a bioarquitetura e as construções experimentais em bambu. Esses dois projetos de introdução dão o tom de Mente e Coração, tema que investiga o propósito dos materiais, dos símbolos e dos gestos que compõem a casa latino-americana.
Viviane Teles - Biobilheteria. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Carolina Mossin/CASACOR)
Concebido a partir de um seminário realizado no Sesc Pompeia, com a presença de Teles, Maria Homem e do líder indígena Carlos Papa, o tema se apresenta como um contraponto às ideias modernas da casa como suporte do progresso, da eficiência e da manutenção de uma vida produtiva.
Na sequência do percurso, o projeto de Pam Faccin tensiona uma das questões centrais do patrimônio: como preservar um parque que, ao longo do tempo, também incorporou espécies exóticas? A paisagista responde com uma investigação do bioma original do território, utilizando exclusivamente espécies da Mata Atlântica e tratando o paisagismo como uma forma de escuta e reconhecimento do lugar. A grande praça diante dos prédios históricos, criada por Maria Fernanda Marques Paisagismo, amplia essa relação entre arquitetura, natureza e cuidado. Entre árvores centenárias, o projeto propõe hotéis de insetos — estruturas pensadas para atrair, proteger e abrigar polinizadores, como abelhas solitárias, e insetos auxiliares, como joaninhas e crisopas.
Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)
Todo o projeto externo foi executado em piso elevado, preservando o solo e minimizando impactos ambientais, enquanto os jardins foram implementados em vasos. A iluminação também foi cuidadosamente planejada para não interferir na fauna local, especialmente nos animais de hábitos noturnos.
Gabriel Fernandes - Casa Simonetto - Tributo a Janete Costa. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Ao longo do percurso, a CASACOR São Paulo 2026 reúne projetos que traduzem o tema Mente e Coração em diferentes escalas de experiência — da casa ao jardim, da contemplação ao encontro. No Prédio 23, o visitante acessa a mostra por um hall com instalação de Paulo Azevedo, concebida como uma cabana de memórias afetivas e contemplação. Entre os destaques, estão a Casa Magma Portinari, assinada pela Suite; a casa com varanda criada por Dado e Guilherme Castello Branco para a Deca; o ambiente de Gabriel Fernandes para a Simonetto, em homenagem à arquiteta e designer Janete Costa; e a ampla casa de Nildo José para a Coral, em que tintas e texturas evidenciam as tendências da marca.
(Edgard César/CASACOR)
A experiência segue por ambientes que exploram diferentes modos de morar, como os estúdios de Felipe Saurin e do Studio Costa+Azevedo para o Mercado Livre, o loft de Léo Shehtman, a Casa Jacob | Itaú Personnalité de Felipe Carolo, o loft de bossa carioca de PN+ | Paula Neder e a Casa Brastemp, assinada por Marcelo Salum, com atmosfera pop, tons vermelhos, neons e referências lúdicas. Na área externa entre os prédios, ganham destaque o Refúgio Fleury, criado pelo Estúdio Musgo por Denis Bessa em celebração aos 100 anos do grupo Fleury, e a casa de vidro de Felipe Rossi, que integra áreas internas e externas e deixa a natureza entrar.
Senac São Paulo + Estúdio Guto Requena - Arena do Conhecimento. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)
No Prédio 22, o percurso começa pela Arena do Conhecimento, assinada pelo Senac-SP + Estudio Guto Requena, em uma ação inédita que reuniu alunos para criar um ambiente dedicado a palestras, encontros e debates sobre inovação, sustentabilidade e tecnologia na arquitetura. Com apoio do Lar Center, a programação será aberta ao público e começa com a Semana Senac do Conhecimento, entre os dias 9 e 12 de junho.
O edifício reúne ainda ambientes dedicados a novas formas de viver, trabalhar e conviver, como o estúdio universal de Letícia Nannetti Arquitetura, pensado sob a ótica da acessibilidade atemporal; o restaurante Mesa Viva, de Marta Martins Arquitetura; a Cozinha Show da Brastemp, por Beatriz Quinelato Arquitetura; e o co-living de Eduardo Baldelomar, da Bolívia, inspirado em uma região histórica de seu país, marcada pela arquitetura barroca e pela herança guarani. O mall CASACOR amplia a experiência com lojas e espaços culturais, como a loja Gustavo Eyewear, assinada por HM Arquitetura, e o espaço da loja do MASP, desenvolvido pelo Studio Garoa. Na reta final do prédio, o Café Livraria com Chocolat du Jour e UniSaber, assinado pelo Studio Sitta+Barbo, propõe um espaço de permanência e encontros.
Studio Sitta + Barbo - Tempo de Estar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Camila Santos/CASACOR)
O percurso retorna às áreas externas com ambientes integrados ao parque, como a tiny house com academia e sauna assinada por Carol Barreto Arquitetura para a Denza, o bar projetado pela Aria Studio, o jardim de Pedro Rabelais Paisagismo e a última tiny house do circuito, com projeto da Volar Interiores. O encerramento passa pelo jardim de Alexandre Galhego Paisagismo, que conduz o público à Forneria San Paolo, da Stage.AEC, e pela instalação de Hugo Ribas, com obras comissionadas da artista indígena manauara Auá Mendes.
Volar Interiores - Casa Ecomorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Daniela Magario/CASACOR)
A edição também reforça o diálogo entre arte, território e processo criativo. Em 2026, a CASACOR São Paulo comissiona trabalhos dos artistas Charles Lessa, do Ceará; Jorge Souza, de Pernambuco; e Carol Ambrósio, de São Paulo, acompanhando a produção das obras em suas regiões de origem e ampliando a presença da arte como eixo narrativo da mostra. Sustentabilidade e impacto ambiental
A CASACOR São Paulo é atualmente a única exposição cultural do Brasil com operação lixo zero. Todo o resíduo gerado pela mostra é desviado de aterros sanitários e reinserido na cadeia produtiva ou destinado a iniciativas de impacto social.
O paisagismo da edição de 2026 segue diretrizes ainda mais rigorosas para garantir a preservação dos jardins do Parque da Água Branca. Não houve qualquer interferência nas árvores do parque, que fazem parte do patrimônio ambiental tombado e cujo manejo é realizado exclusivamente pela concessionária responsável pelo espaço.
Estudio Musgo - Refúgio Fleury. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
Também seguindo as diretrizes da edição anterior, toda a vegetação utilizada na mostra foi mantida em vasos apoiados sobre o solo, sem plantio direto nos canteiros, permitindo sua remoção após o encerramento do evento. As espécies escolhidas obedecem a critérios específicos e não poderão ser tóxicas para animais nem possuir espinhos.
A iluminação das áreas externas também seguiu parâmetros específicos voltados à preservação ambiental, com assinatura do Estudio Carlos Fortes. Os ambientes utilizam luz com temperatura de cor de 1.800 K, em tonalidade amarelo-avermelhada, e IRC acima de 90 — características que reduzem impactos sobre a fauna local. Diferentemente da luz branca, que pode ser interpretada pelos animais como luz solar, a iluminação adotada pela CASACOR busca preservar os ciclos naturais da vida silvestre presente no parque.
Estúdio Carlos Fortes - Iluminação das fachadas e áreas externas. Ao anoitecer, praças, jardins e fachadas dos prédios que abrigam a mostra reluzem graças ao projeto luminotécnico de Carlos Fortes, arquiteto especializado em iluminação, e Débora Espósito, sua sócia. “O objetivo é integrar as intervenções realizadas pelo elenco ao conjunto arquitetônico e paisagístico do Parque”, comenta ele. O tom amarelo-ocre das paredes fica ainda mais vivo com a luz das lâmpadas de led de baixa temperatura (1 800 K) e índice de reprodução de cores (IRC) acima de 90%, que também atende aos parâmetros relacionados ao baixo consumo de energia e à proteção dos animais que habitam o entorno. (MCA Estúdio/CASACOR)
Quando: de 2 de junho a 9 de agosto de 2026
Horários: terça a domingo e feriados, das 11h às 22h
Onde: Parque da Água Branca — Rua Dona Ana Pimentel, 40
Ingressos: de R$ 70,50 (meia) a R$ 161 (inteira)
Bilheteria: online, aplicativo oficial da CASACOR e venda presencial no local
Redes sociais: @casacor_oficial
Mais informações: https://casacor.abril.com.br/sao-paulo-2026
De banheiros com cabines acessíveis a rampas e circulação livre para cadeiras de rodas, a acessibilidade segue como uma das palavras-chave da CASACOR São Paulo. Em 2025, o evento recebeu, pelo terceiro ano consecutivo, o Selo de Acessibilidade da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), reforçando o compromisso da mostra com uma experiência mais inclusiva e confortável para diferentes públicos.
O evento não é pet-friendly. Devido à natureza contemplativa da mostra e ao alto fluxo de visitantes, não é permitida a entrada de animais, exceto cães-guia e cães de apoio emocional.
A CASACOR São Paulo 2026 tem apoio da Lei Rouanet e Vale+ Cultura, com Patrocínio Master Deca; Patrocínio Coral; Patrocínio Local Duratex, Brastemp e Mercado Livre; Banco Oficial Itaú; Carro Oficial Denza; Apoio Local Portinari; Escola Oficial Senac; Parceira de Reparos e Manutenção Porto Serviço; Café Oficial Orfeu; Fornecedor Oficial SABESP; Cerveja Oficial Stella Artois; Media Partner Eletromidia; e Hospedagem Oficial Noon. Realização Editora Globo e Ministério da Cultura.