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Inês Schertel apresenta slow design em exposição própria em Milão

A designer brasileira mostra suas peças produzidas artesanalmente do processo de obtenção da matéria-prima até a finalização

 (Inês Shertel/CASACOR)

Inês Schertel, há 6 anos, deixou a capital paulista para adotar um outro estilo de vida no Rio Grande do Sul. A designer brasileira deixou o glamour da metrópole e se refugiou em uma fazenda em São Francisco de Paula, onde cuida de cerca de 400 ovelhas, que lhe fornecem lã para a confecção de suas exclusivas peças em feltro rústico.

Algumas destas criações únicas serão apresentadas na mostra “Materica: formas inusitadas de trabalhar os materiais”, de 16 de maio a 31 de outubro deste ano, no badalado hotel nhow de Milão, na Via Tortona, 35.

Banco Truvisca (2017) – Da cidade onde vive, São Francisco de Paula, Inês Schertel trouxe a muda de Morning Glory, uma trepadeira de flor roxa. Plantou-a próxima a seu ateliê e em pouco tempo as ramas se esparramaram através da janela. “Deixei entrar e fiquei observando o movimento do caule, o balançar das folhas com o vento. Pensei em como poderia reproduzir isso com a lã. Desse observar nasceu o banco Truvisca”, conta. As folhas de lã em formato de hera são feitas manualmente, uma a uma. Depois de feltrada, a peça é amarrada a fragmentos da mata nativa de araucária: folhas, sementes e raízes. Inês cozinha tudo no vapor durante quatro horas e deixa descansar dois ou três dias. O pigmento natural tinge a lã no processo chamado botanical dyes. O tempo de execução do processo chega a durar dois meses.

Banco Truvisca (2017) – Da cidade onde vive, São Francisco de Paula, Inês Schertel trouxe a muda de Morning Glory, uma trepadeira de flor roxa. Plantou-a próxima a seu ateliê e em pouco tempo as ramas se esparramaram através da janela. “Deixei entrar e fiquei observando o movimento do caule, o balançar das folhas com o vento. Pensei em como poderia reproduzir isso com a lã. Desse observar nasceu o banco Truvisca”, conta. As folhas de lã em formato de hera são feitas manualmente, uma a uma. Depois de feltrada, a peça é amarrada a fragmentos da mata nativa de araucária: folhas, sementes e raízes. Inês cozinha tudo no vapor durante quatro horas e deixa descansar dois ou três dias. O pigmento natural tinge a lã no processo chamado botanical dyes. O tempo de execução do processo chega a durar dois meses. (Inês Shertel/CASACOR)

Inês Schertel trabalha com chamado slow design, participando passo a passo do processo de obtenção da matéria-prima até a produção das peças. Com olhar curioso, Inês observa a natureza em seu entorno: plantas, árvores, montanhas, os ninhos dos pássaros, a bruma do amanhecer. Esse rico repertório sugere formas e conceitos para ela produzir cestos, bancos e tapeçarias feitos manualmente com lã.

Tapeçaria Caudilho (2019)Instigada a tentar todas as possibilidades que a lã oferece, Inês cria módulos para formar sua tapeçaria feltrada. O resultado é único, pois cada item é tingido separadamente. Aqui, as cores são obtidas com folhas de eucalipto misturado a ferro enferrujado e ao líquen das árvores da floresta. A peça, de 3 x 2 m, vai sendo montada como num jogo de quebra-cabeças e leva dois meses para ficar pronta. “As pessoas que conhecem essa técnica se surpreendem quando veem minha tapeçaria. No Quirguistão, um tapete de 3 x 3 m é feito por até cinco homens. A lã compactada é muito difícil de fazer”, conta ela.

Tapeçaria Caudilho (2019)Instigada a tentar todas as possibilidades que a lã oferece, Inês cria módulos para formar sua tapeçaria feltrada. O resultado é único, pois cada item é tingido separadamente. Aqui, as cores são obtidas com folhas de eucalipto misturado a ferro enferrujado e ao líquen das árvores da floresta. A peça, de 3 x 2 m, vai sendo montada como num jogo de quebra-cabeças e leva dois meses para ficar pronta. “As pessoas que conhecem essa técnica se surpreendem quando veem minha tapeçaria. No Quirguistão, um tapete de 3 x 3 m é feito por até cinco homens. A lã compactada é muito difícil de fazer”, conta ela. (Inês Shertel/CASACOR)

“Valorizo cada etapa de elaboração das peças. Desde as ovelhas que são criadas em capo nativo melhorado até o tingimento natural. Cada coisa a seu tempo, e cada etapa com seu storytelling. Encontro na lã uma inspiração ancestral e ao mesmo tempo contemporânea nesse processo chamado slow design. Acho fascinante poder reaproveitar, reutilizar e ressignificar o nobre material, não mais necessário a esses animais”, afirma a arquiteta e designer, que já foi diretora de arte e cenógrafa.

Banco Porva (2018)“No Porva, eu resolvi trabalhar a lã de uma maneira mais bruta, com sobreposição de várias camadas. Dessa forma, o agrupamento ganha mais força e realça a textura da feltragem manual.” O tempo de execução: um mês. “A lã muitas vezes parece ter vontade própria e me leva a novos caminhos”, diz.

Banco Porva (2018)“No Porva, eu resolvi trabalhar a lã de uma maneira mais bruta, com sobreposição de várias camadas. Dessa forma, o agrupamento ganha mais força e realça a textura da feltragem manual.” O tempo de execução: um mês. “A lã muitas vezes parece ter vontade própria e me leva a novos caminhos”, diz. (Inês Shertel/CASACOR)

Essa não será a primeira vez que a designer expõe na Europa. Ela já esteve quatro vezes na Semana de Design de Milão e, em 2017, mostrou 21 itens de seu trabalho em uma mostra individual no espaço Espelho D’Água, em Lisboa. Agora, retorna à cidade italiana com sete peças, entre mobiliário e tapeçaria, desenvolvidas nos últimos três anos.

Balaio Oiga (2018) – Lã e seda se misturam no processo de confecção do balaio Oiga, aprendido em um dos vilarejos do Quirguistão na rota da seda, a 150 km da China. O material proveniente das ovelhas “agarra” o tecido mais fino, formando um belo drapeado. Para tingir a peça, Inês usou cascas de pinhões, fruto da araucária, árvore da mata nativa da região onde ela vive. O processo leva de 25 a 30 dias para ser executado. “Aprendi a tingir com elementos botânicos na Irlanda”, conta ela, que amarra a peça feltrada como um rocambole e deixa o vapor agir sobre a superfície. “O pigmento vai impregnando aos poucos na lã e o resultado sempre surpreende.”

Balaio Oiga (2018) – Lã e seda se misturam no processo de confecção do balaio Oiga, aprendido em um dos vilarejos do Quirguistão na rota da seda, a 150 km da China. O material proveniente das ovelhas “agarra” o tecido mais fino, formando um belo drapeado. Para tingir a peça, Inês usou cascas de pinhões, fruto da araucária, árvore da mata nativa da região onde ela vive. O processo leva de 25 a 30 dias para ser executado. “Aprendi a tingir com elementos botânicos na Irlanda”, conta ela, que amarra a peça feltrada como um rocambole e deixa o vapor agir sobre a superfície. “O pigmento vai impregnando aos poucos na lã e o resultado sempre surpreende.” (Inês Shertel/CASACOR)

Foi em Milão, por sinal, que Inês descobriu a técnica que a levaria a aderir ao slow design. Na renomada galeria de Rossana Orlandi, ela se encantou com um tapete de feltro rústico confeccionado com lã de ovelhas. “Sempre quis aproveitar o material da tosquia dos animais de minha fazenda, realizada no verão. Essa descoberta foi uma feliz coincidência”, diz.

A técnica ancestral usada para feltrar a lã foi aprendida em diversas viagens para a Ásia Central. No Quirguistão, os povos nômades a ensinaram a friccionar manualmente a lã, com água e sabão, até surgir o feltro, considerado o primeiro tecido da humanidade, feito sem fio nem tear. Nesse processo lento, sustentável e minucioso, Inês se envolve da obtenção da matéria-prima à produção dos objetos. “Usando a fibra 100% natural e 100% renovável, homenageio uma tradição de mais de três mil anos, propondo algo sempre fresco e contemporâneo”, afirma.

Serviço – “Materica: formas inusitadas de trabalhar os materiais”

Quando: de 16 de maio a 31de outubro de 2019

Onde: nhow Hotel, via Tortona, 35, Milão, Itália.

E-mail: ines@inesschertel.com.br

Instagram: @inesschertel

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