Como o lixo no mar causa prejuízos ambientais, econômicos e aos banhistas

Os dejetos deixados nas praias não só afetam as espécies marinhas, como também trazem prejuízo econômico e aos banhistas, que frequentam esses locais

Por Alex Alcantara Atualizado em 17 fev 2020, 16h43 - Publicado em 8 jan 2019, 12h59
Projeto Nossa Praia instala pontos de retirada de sacolas de lixo na Praia do Francês, em Alagoas. PNBA Producoes/CASACOR

Parece um aviso de “eco-chato”, uma tecla que tem se apertado sempre, mas o perigo e a ameaça é real, por isso a insistência neste assunto tão urgente e atual. Os dejetos que são deixados nas praias e, por consequência poluem os mares, não só afetam as espécies marinhas (que são as maiores vítimas deste descaso humano), como também trazem prejuízo econômico e aos próprios banhistas, que frequentam esses locais.

Divulgação/CASACOR

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, a contaminação dos oceanos, principalmente por plásticos, é responsável pela morte de cerca de 100 mil animais todos os anos. Segundo o presidente do conselho da Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, cerca de 700 espécies marinhas são afetadas pela poluição plástica nos mares, incluindo mais de 260 espécies sob algum grau de ameaça de extinção. “Muitos animais se enroscam e ficam feridos ao terem contato com esse tipo de material, mas o problema principal é a ingestão do plástico, que não é um elemento natural no trato digestivo e acaba causando a morte”, explica.

Gustavo Simão/O POVO/CASACOR

A atenção aumenta a essa problemática principalmente nesta época de final e começo de ano, onde as pessoas festejam e migram para as praias para aproveitar as férias, mas nem sempre da forma correta. Segundo um levantamento do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), todos os anos, cerca de 190 mil toneladas de materiais plásticos são lançados ao mar, na costa brasileira.

Além de impactar as espécies marinhas, os resíduos descartados nas praias também interferem na vida dos banhistas, que podem se ferir com determinados objetos. A sujeira também reduz a balneabilidade, que é o índice usado para verificar a qualidade da água destinada à recreação. Desse modo, ela se torna imprópria para o banho, podendo gerar contaminação por doenças de pele.

gallinago_media | iStock/CASACOR

Mas o problema não está apenas nos chamados “macroplásticos”, que são facilmente visíveis por pessoas e animais. As partículas de plástico com menos de cinco milímetros, denominadas de “microplásticos”, podem ser ingeridas indiretamente por peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos, levando seis vezes mais tempo para serem eliminados do organismo do que o macroplástico, que é ingerido diretamente. Em muitos casos, estes microplásticos entram na cadeia alimentar do homem, quando ele se alimenta de frutos do mar. “Dos animais encontrados mortos, 100% das tartarugas verdes e 75% das aves marinhas possuem algum tipo de plástico no estômago”, explica Scheffer.

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Uma das últimas notícias ambientais, que chocou as pessoas, é que todas as tartarugas marinhas do planeta têm plástico no organismo. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Exeter, do Laboratório Marinho de Plymouth e do Greenpeace, analisou 102 exemplares de tartarugas marinhas. Os animais que participaram do estudo haviam sido encontrados nos oceanos Atlântico, Pacífico e Mediterrâneo. Todas elas tinham pedaços de plástico no intestino. Mais de 800 partículas sintéticas foram encontradas nas tartarugas analisadas. Como apenas parte do intestino dos animais foi testada, os cientistas estimam que o número total seja até 20 vezes maior.

Mutirão de limpeza na Praia do Francês, em Alagoas. Reprodução/CASACOR

Por fim, os prejuízos afetam também a economia dos municípios, que precisam aumentar as despesas com a limpeza das praias e perdem a receita com o turismo. No setor da navegação e nas atividades pesqueiras, a produtividade tende a diminuir devido à morte dos peixes e à poluição dos oceanos.

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