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Decoración, Proyectos

Na CASACOR São Paulo, projetos nascem da memória e transbordam emoções

Profissionais da CASACOR São Paulo 2026 se voltaram para dentro de si mesmos e suas próprias lembranças para encontrar os móveis, objetos e elementos que habitam seus ambientes

Por Giovanna Jarandilha

Presentado en 12 jun 2026, 10:00

Mais de 10 min de leitura
Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

Existe um fator na arquitetura contemporânea que transgride o racional – e quem entendeu isso, já sabe que o habitar deixou de ser estritamente funcional. É isso o que acreditam os profissionais da CASACOR São Paulo 2026 que, de acordo com o tema “Mente e Coração”, buscaram transbordar em ambientes suas memórias de infância e seus vínculos familiares em móveis, objetos afetivos, cores e composições que emocionam.

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

“Quando criança, a gente tem um universo lúdico onde nada é impossível na nossa imaginação. No meu ambiente, tem muita coisa que eu fui aprimorando, treinando o olhar com o tempo, mas também tem muito das coisas de infância, de olhar para as casas e se encantar antes de sequer saber o que é arquitetura”, reflete Nildo José, arquiteto que retorna à mostra paulistana pela quinta vez. Para ele, os seus projetos sempre têm uma coisa em comum: eles olham para dentro dele a fim de contar uma história. “Eu não crio um projeto para emocionar, eu crio pra contar uma história, e essas histórias às vezes emocionam”.

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Em seu ambiente Casa Coral Celeiro Alvorada, Nildo revisita as memórias de seu pai. Na estante teto-chão, onde estão abrigados mais de 4 mil livros, o arquiteto baiano a preencheu também com fotografias de pai e filho. E assim, entre saudade e homenagem, Nildo cria uma arquitetura que dá suporte àquilo que permanece – não apenas nos objetos, mas também nas lembranças.

Felipe Carolo - Casa Jacob | Itaú Personalité. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe Carolo - Casa Jacob | Itaú Personalité. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

A família também é fio condutor do projeto de Felipe Carolo, em especial o seu avô, Jacob, que celebrou 100 anos de vida em novembro do ano passado. “Eu juntei um emaranhado de referências para fazer uma homenagem ao meu avô. Tudo o que eu projetei aqui teve ele de fundo”, define Carolo. “Esse ambiente é uma junção da história do meu avô, do que eu quero mostrar, do que eu quero que as pessoas sintam e vivam”.


Tudo na Casa Jacob | Itaú Personnalité remonta à época que ele morou por quatro anos na casa do seu avô – inclusive de forma literal, com alguns móveis herdados. O que não foi herdado, é vintage e foi garimpado em galerias pela cidade, trazendo ainda mais memórias à mesa. “Parte do que eu gosto ao participar da CASACOR é trazer elementos, objetos e móveis que toquem os visitantes. Essa penteadeira do meu avô, por exemplo, é algo que várias pessoas já viram na casa dos seus próprios avós, e isso gera uma identificação muito grande”, pontua ele. “Na CASACOR, consigo mostrar um outro olhar sobre materiais e mobiliário que as pessoas já estão acostumadas a ver”.

Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

Sobre garimpar, Felipe de Almeida é especialista. “Tem coisas que eu adquiro não pensando em um projeto agora, mas se eu gostei, eu sei que vou utilizar em algum momento”. O arquiteto, responsável pela Casa Memórias Essenciais, reuniu um acervo tão minucioso em que tudo, na verdade, conta uma história.


Ele destaca um lustre e um toalheiro inglês que ele mesmo restaurou, sem nenhum projeto específico à vista, apenas à espera da hora certa de utilizá-los. “Criatividade é você se permitir para além dos projetos que estão acontecendo. E quando chega o momento certo, as coisas naturalmente vão se encaixando”.

João Panaggio - Casa da Marcenaria Brasileira | Duratex. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

João Panaggio - Casa da Marcenaria Brasileira | Duratex. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)

Mais do que criatividade, a seleção de objetos precisa ter verdade. É isso o que acredita João Panaggio, autor da Casa da Marcenaria Brasileira na CASACOR São Paulo. “A gente emociona o público quando a gente é verdadeiro com a gente, com o próximo, com a matéria. A emoção está no entendimento”, resume ele.


Seu espaço, que coleciona várias gerações de designers no mobiliário, de Lina Bo Bardi a Jorge Zalszupin, tem a etiqueta como parte secundária. O principal em seu projeto é a figura do marceneiro, e a verdade por trás da manualidade de seu trabalho.

Felipe Carolo - Casa Jacob | Itaú Personalité. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe Carolo - Casa Jacob | Itaú Personalité. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

As pessoas sentem quando você conta uma história real e ela é transmitida de uma maneira autêntica no espaço”, reflete Felipe Carolo. Sobre seu projeto, ele retoma: “eu acho que é isso que falta hoje em dia nos projetos. Falta verdade no processo e na entrega. As pessoas estão em busca disso. Não é sobre as histórias que você vai contar, mas sobre como você as conta”.

Paulo Azevedo - Memórias Costuradas em Uso. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Paulo Azevedo - Memórias Costuradas em Uso. Na entrada do primeiro casarão do percurso, o hall de 50 m² presume que os espaços que habitamos são extensões das nossas vivências – camadas de histórias que se acumulam e se alteram ao longo do tempo, alinhavando fragmentos do passado e do presente. Uma tenda de 12 m², elemento principal da narrativa amarrada por meio de uma linguagem cativante, ocupa a porção central do ambiente. Imersa no cenário onírico acentuado por tons de azul, a cabana expressa memória e afeto. Tecidos, luz e formas envolvem o visitante, em um chamado à introspecção e à emoção, como se o preparassem para tudo que ainda está por vir. (Carolina Mossin/CASACOR)

Na CASACOR São Paulo 2026, os profissionais, além de desenhar plantas e selecionar cuidadosamente cada objeto de seus ambientes, assumiram também um exercício mais introspectivo: o de olhar para dentro de si mesmos e transformar suas emoções em algo visual. Como resume o arquiteto Paulo Azevedo, autor do projeto Memórias Costuradas em Uso, uma tenda onírica cheia de afeto que recebe os visitantes na entrada do primeiro casarão da mostra, “o importante é olhar para dentro e criar o que faz sentido para si mesmo. Se for verdadeiro para você, com certeza também vai ressoar em alguém”.

Serviço – CASACOR São Paulo 2026


  • Quando: de 2 de junho a 9 de agosto de 2026

  • Horários: terça a domingo e feriados, das 11h às 22h

  • Onde: Parque da Água Branca — Rua Dona Ana Pimentel, 40

  • Ingressos: de R$ 70,50 (meia) a R$ 161 (inteira)

  • Bilheteria: online, aplicativo oficial da CASACOR e venda presencial no local

  • Redes sociais: @casacor_oficial

  • Mais informações: https://casacor.abril.com.br/pt-BR/mostras/sao-paulo-2026