O novo “Livro das Linhas” de João Diniz prova que poesia é arquitetura

Engana-se quem acha que os dois universos não podem coexistir: no livro de poesia de João Diniz, os versos são construídos como um edifício

Por Redação 26 jan 2021, 16h11
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Reprodução/CASACOR

O arquiteto e artista João Diniz anunciou, por meio do seu Instagram, a finalização de seu mais novo livro, “O Livro das Linhas“, lançado pela Caravana Editora como produto físico e e-book. O livro reúne uma série de poemas de sua autoria escritos ao longo dos últimos cinco anos, só agora organizados pelo artista.

O mundo da poesia não é estranho ao arquiteto, que já havia explorado estes caminhos em sua trajetória como artista, com o livro “Ábaco” (2011) e “Aforismos Experimentais” (2014); além de “Visible Cities“, em 2013 — um livro experimental com tiragem limitada.

Na apresentação escrita pelo poeta Tonico Mercador para “O Livro das Linhas”, ele atesta: “Neste criativo, insensato, absoluto Livro das Linhas, cujos versos se empilham como um edifício, uma torre, um castelo, João Diniz confirma Kandinsky em seu livro ‘Ponto e Linha sobre o Plano’: ‘A linha geométrica é um ser invisível. É o traço que abandona o ponto ao se mover e, portanto, é o seu resultado. Surge do movimento ao destruir o repouso total do ponto. Aqui se dá o salto do estático ao dinâmico’. Aqui, são várias as linhas que se movem, como se João Diniz quisesse, com elas, mostrar que é possível semear o deserto com palavras, que poemas podem conduzir o homem abandonado, o homem só, a uma outra paisagem, a um estimulante devir”.

cuboesia joao diniz casacor minas gerais 2019
Divulgação/CASACOR

Instalações com vocação de obra de arte

Engana-se quem acha que os dois universos não podem coexistir: para João Diniz, poesia é arquitetura, e arquitetura é poesia. Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, o poeta-arquiteto se consolidou em Belo Horizonte à frente do escritório homônimo com obras públicas e residenciais; mas em especial pelas instalações que são verdadeiras obras de arte — tanto em conceito, quanto execução.

Prova disso é o Cuboesia, uma instalação multissensorial criada para a CASACOR Minas Gerais que revelava, em cada uma de suas faces, diferentes poemas de seis versos, que vazavam através de sua estrutura em metal.

cuboesia joao diniz casacor minas gerais 2019
Divulgação/CASACOR

A instalação de quase 4 metros de altura preencheu o jardim do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, durante a 25ª edição da mostra mineira. O sucesso foi tamanho que o projeto de João e Bel Diniz foi escolhido para integrar o portal internacional do ArchDaily.

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Bel Diniz/CASACOR

A história de João Diniz com a CASACOR não para aí — ao contrário, vem de muito antes disso. Em 2015, o arquiteto junto de José Baccarini desenhou a bilheteria da mostra em Minas Gerais com uma estrutura em aço oxidado que percorria, ao mesmo tempo, teto e piso da instalação — uma alusão às curvas de Niemeyer, em especial suas obras na Pampulha. O projeto também integra o acervo do ArchDaily e pode ser conferido aqui.

Pamp.pavilion joão diniz casacor minas gerais 2015
Bel Diniz/CASACOR

 

 

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