Bernardo Horta projeta casas para comunidade quilombola

Para resgatar as características e tradições da comunidade do Cumbe, no Ceará, arquiteto mineiro cria módulos de habitação que vão além da arquitetura

Por Cristina Bava 18 jun 2020, 12h12

Próximo da badalada praia de Canoa Quebrada está localizada a comunidade do Cumbe, em Aracati, no Ceará, que abriga mais de 100 famílias remanescentes de quilombos. Foi pensando nesse grupo que o arquiteto mineiro Bernardo Horta criou módulos habitacionais que tem o objetivo de ajudar no desenvolvimento local, além de recuperar as tradições e os valores culturais de uma população historicamente marginalizada.

Segundo o arquiteto, “a proposta tem como premissa contribuir com o desenvolvimento da comunidade do Cumbe e resgatar as características e tradições deste povo”.

O sistema de habitação de Horta é composto por módulos, que podem ser montados em conjunto ou não, variando de acordo com as necessidades específicas de cada família. O grupamento dos módulos permite que as casas sejam aprimoradas sempre que se criarem novas parcerias entre os proprietários, fornecedores e comunidade. “O projeto é capaz de conservar e atualizar o método construtivo tradicional e utilizar o material natural e local a fim de criar possibilidades de autoconstrução, minimizar o consumo de energia, incorporar fazeres artesanais e incentivar o contexto cultural local”, conta Horta.

A estrutura é pré-fabricada com finalidade de reduzir os custos de construção, além de evitar problemas causados pela umidade do solo. “A flexibilidade do desenho proposto contribui para o custo reduzido de possíveis reformas e engloba diversidade de usos e apropriações do espaço sem necessidade de grandes intervenções”.

Para a fundação pneus reciclados e concretados servem para isolar a umidade. E para o fechamento, o método tradicional de pau-a-pique (uma mistura de argila, areia e palha) foi resgatado. As vedações frontais e posteriores foram pensadas com opções como muxarabis, palha traçada, veneziana ou ripamento de madeira, tela de palha, labirinto, etc. O bangalô (20 m²) é formado por alpendre de acesso e descanso, um grande cômodo de dormitório contendo área para TV armário e/ou mesa de estudos, área de serviço ou pequena cozinha e sanitário com chuveiro. As grandes portas e janelas garantem ventilação cruzada e criam um corredor iluminado.

“Um outro conceito importante para o projeto foi incentivar a vida comunitária, a idéia de uma arquitetura aberta permite várias apropriações do espaço público e semi-público, garantindo a socialização entre os moradores e o aumento dos laços de vizinhança através das grandes áreas da varanda”, revela o arquiteto.

Continua após a publicidade
Publicidade