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10 construções sustentáveis que aliam design e ecoeficiência

Conheça projetos que investem na economia de água e energia, na redução de emissão de resíduo e em outras soluções sustentáveis

 (André Pinheiro/Divulgação/CASACOR)

A sustentabilidade deixou de ser um diferencial nos projetos arquitetônicos e atingiu um novo patamar de importância. Cada vez mais, engenheiros, arquitetos e designers priorizam, em seus trabalhos, boas ideias que contribuem para a preservação do meio ambiente, mas sem deixar de lado aspirações estéticas e funcionais.  

O sucesso do método construtivo está ligado principalmente às vantagens que ele oferece. Segundo o engenheiro Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, “as construções sustentáveis são mais baratas, geram menos manutenção e são construídas mais rapidamente, com maior planejamento e com melhores níveis de conforto para os usuários”.

Sendo a maior mostra de arquitetura, de design e de paisagismo das Américas, a CASACOR não poderia deixar de contribuir para um futuro mais sustentável. No final de 2015, a marca firmou um compromisso com a sustentabilidade e, em parceria com a Inovatech Engenharia, definiu objetivos que buscam a certificação do evento dentro da norma ISO 20121.

Em 2016, a parceria rendeu a primeira edição da Casa Sustentável. Na CASACOR São Paulo, o engenheiro Luiz Henrique Ferreira e os arquitetos Rodrigo Mindlin Loeb e Caio Dotto projetaram a Casa AQUA. A ideia se repetiu neste ano, desta vez, assinada pela arquiteta Mariana Crego. Outras edições da CASACOR pelo Brasil também investiram neste método construtivo, como Rio de Janeiro, Paraíba e Minas Gerais.

O sucesso da iniciativa motivou a criação do Desafio Casa Sustentável CASACOR. Os participantes terão que criar um projeto para a Casa Sustentável da CASACOR São Paulo 2018, que poderá servir de inspiração para a construção de um espaço na mostra, se houver, ao final deste concurso, disponibilidade de área e ainda, uma empresa patrocinadora que pretenda subsidiar a construção. A inscrições já estão abertas e podem ser feitas até dia 13 de novembro. 

Para inspirar os projetos e motivar a participação no desafio, selecionamos 10 construções mundo afora que aliam com excelência design e ecoeficiência. Confira:

Casa AQUA

A Casa AQUA desmistifica o conceito de habitação sustentável e mostra que “é possível sim aliar estética, design, funcionalidade e ecoeficiência, dentro de padrões de custo competitivos”, como defende o engenheiro Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia. A empresa de consultoria foi quem idealizou o projeto, que ganhou forma nas mãos dos arquitetos Rodrigo Mindlin Loeb e Caio Dotto, na CASACOR São Paulo 2016. O ponto de partida era criar uma casa que se adequasse as necessidades de uma família, a construção em módulos com quatro volumes independentes caiu como uma luva, já que os módulos podem ser montados e desmontados conforme o tempo passa e as necessidades mudam. Ocupando uma área com cerca de 50 m², a construção foi concluída em 10 dias, as alvenarias comuns foram substituídas por placas de concreto pré-fabricadas que facilitam o transporte e o desmonte. Para garantir conforto térmico, o projeto apostou em um sistema de fachadas ventiladas e cobertura verde. Além destas, outras soluções foram utilizadas, como o uso de painéis fotovoltaicos para a geração de energia elétrica e a instalação de um sistema meteorológico para irrigação e aproveitamento de água de chuva sem utilização de bombas.

Astrid Hill

Em Singapura, a Astrid Hill esbanja personalidade. Linhas retas, telhados verdes, jardins verticais e ripas de madeira desenham o visual do projeto, que é dividido em dois volumes interligados a céu aberto. Elaborado pelo escritório Tsao-McKown, a construção surgiu a partir do desafio de reinterpretar um lar chinês com um olhar contemporâneo, e foi além disso, provando que o design sustentável pode ser belo. Diferentes setores compõem a residência, cada um dos volumes tem divisões menores que incluem área de trabalho, entretenimento e residencial. O sistema de segmentação permite uma maior economia de energia, já que quando desocupados, os espaços podem ser desligados de forma independente. Os grandes panos de vidro proporcionam o aproveitamento da luz natural, já os telhados verdes e jardins ajudam a resfriar os interiores e são integrados ao sistema de captação da água de chuva.

Passive House (Reino Unido) 

A habitação mais sustentável do Reino Unido fica em West Kirby. O arquiteto Colin Usher decidiu projetar uma casa simples, com impacto ambiental leve e bom custo-benefício. A ideia principal era criar um local com muita luz e espaço para pendurar as obras de arte feitas por sua esposa. A construção superou todas as expectativas, conquistou o prêmio nacional de Melhor Novo Edifício Doméstico, do Swig Awards, na categoria eficiência energética. O mais inacreditável é o valor de manutenção da residência: os proprietários gastam um valor equivalente a apenas 7 reais por mês com energia. O segredo está na atenção para os detalhes. Muitas janelas garantem iluminação natural durante o dia, além disso a posição delas foi estabelecida de forma estratégica, levando em conta a rotação das massas de ar para garantir ventilação, por fim, elas receberam uma camada tripla de vidro e esquadrias grossas para evitar a perda de calor. Os revestimentos em madeira, para garantir isolamento térmico, o telhado feito com painéis fotovoltaicos e a iluminação em LED completam o pacote.

Earthships

A proposta das Earthships parece quase impossível: viver de forma autônoma, sem depender de fontes de energia e água externa. Mas o modelo de casa ecológica criado totalmente com materiais recicláveis é real. Pensado nos anos 1970, o projeto gira em torno de quatro objetivos principais: criar uma arquitetura sustentável, depender apenas de fontes naturais de energia, ser economicamente viável e poder ser construído por qualquer pessoa. A base das residências é feita com materiais recicláveis, como garrafas pet, junto com pneus preenchidos por terra, que criam uma massa térmica capaz de equilibrar a temperatura ambiente, mantendo-a sempre agradável, faça chuva, sol ou até neve. Cada Earthship tem um sistema de aproveitamento de água dividido em três etapas: primeiro, a água é captada da chuva e é filtrada, depois é usada para as atividades convencionais, exceto nas privadas; depois, ela é drenada por sistemas de contenção, tratada e reutilizada nos sanitários; por último, a água é filtrada e levada até as células botânicas, no exterior da residência, e usada nas plantações que produzem alimentos para os moradores.

Wikkelhouse

O estúdio holandês Fiction Factory criou uma casa sustentável, feita majoritariamente com papelão, que pode ser montada em apenas um dia. A Wikkelhouse promete ser durável e adaptável, tem vida útil de pelo menos 50 anos e pode ser colocada em qualquer ambiente – na praia, na beira de rios, no interior de um barco e até no topo de um prédio. A habitação é feita a partir de 24 camadas de papelão coladas com um material de alta resistência que formam blocos de 1,2 metros de largura. Quantos mais blocos forem usados, maior a casa. O tamanho e o formato são definidos pelo cliente, as paredes são revestidas externamente com madeira para deixar a estrutura mais sólida, já no interior, o revestimento é personalizado. A finalização garante que a casa seja resistente às chuvas, ao frio e a outras condições naturais. A empresa garante que as árvores cortadas para construir as casas são substituídas por novas.

Waste House

A Waste House é a primeira construção permanente do Reino Unido construída a partir de lixo. O edifício funciona como uma instalação de pesquisa e oficina de design da Faculdade de Artes da Universidade de Brighton, e fica localizado no campus da instituição. O projeto foi feito pelo estúdio East Sussex BBM em parceira com alunos da graduação e foi construído ao longo de um ano, entre 2013 e 2014. Suas fundações foram feitas com escória granulada de alto forno – um material de baixo impacto ambiental – e estão apoiadas em uma estrutura feita com madeira compensada. As colunas e vigas foram concebidas a partir de madeira resgatada de uma casa demolida. Cerca de 20 mil escovas de dente, 4 mil capas de DVD, 2 mil disquetes e 2 toneladas de jeans foram usados na composição das paredes como isolantes, os materiais podem ser vistos através de cortes transparentes. Além disso, 2 mil telhas de carpete foram aplicadas como revestimento à prova da ação de intempéries na parte externa da casa.

Muji Hut

Há dois anos, em 2015, a Muji, uma empresa japonesa de varejo, criou uma coleção com três casas sustentáveis pré-fabricadas. Com traços minimalistas, elas foram assinadas por conceituados designers: Naoto Fukasawa, Jasper Morrison e Konstantin Grcic. As residências são de fácil transporte e foram inspiradas nas tiny houses, uma espécie de mini habitação usual no Japão. Cada modelo tem suas peculiaridades, mas todos investem em soluções ecológicas. Na construção de Gric, a iluminação natural é o ponto forte, as grandes janelas permitem que a luz flua por todo o ambiente. Fukasawa decidiu dar um tom campestre para sua criação, por isso investiu em uma parede de vidro emoldurada com madeira rústica no interior e preta no exterior, além de um fogão de ferro fundido. Por último, Morrison desenhou uma casa de cortiça, com interior de madeira. As habitações podem ser compradas na própria loja, os preços variam entre 25 mil e 40 mil dólares.

The Crystal

A arquitetura geométrica e futurista do The Crystal, em Londres, chama atenção pelos traços singulares. Os ângulos e paredes inclinadas, revestidas por grandes panos de vidro, vão muito além do aspecto visual, eles garantem a iluminação natural e, através de um mecanismo de fachada controlável, que conta com 150 aberturas, permitem um sistema de ventilação eficaz sem gasto de energia. Esses são apenas dois dos recursos que fazem do edifício a única construção do planeta a receber a classificação mais alta em dois dos maiores sistemas de certificação sustentável – o LEED Platinum e o BREEAM Outstanding. O espaço acolhe o Centro Global de Urbanismo Sustentável da Siemens e é usado para organizar eventos e conferências sobre o desenvolvimento de cidades sustentáveis. Próximo ao parque eólico marítimo London Array, boa parte da energia utilizada vem de fontes renováveis, para completar o sistema, o projeto também conta com painéis fotovoltaicos e solares instalados no terraço. Com isso, The Crystal consome 46% menos energia e emite 65% menos dióxido de carbono do que edifícios de escritórios comparáveis.

One Bryant Park

O segundo edifício mais alto da cidade de Nova Iorque também é o arranha céu mais sustentável dos Estados Unidos. Os 365 metros de altura do One Bryant Park, compostos por 55 andares, abrigam o Banco da América. O prédio foi o primeiro a receber a certificação LEED Platinum do U.S Green Building Council. A maior parte das matérias-primas aplicadas na construção foram provenientes de fontes renováveis e recicláveis, obtidas no máximo a 500 quilômetros da cidade, além disso, o concreto utilizado foi composto por 45% de resíduos e 55% de cimento, eliminando parte do CO2 emitido na produção do material. Os conceitos da biofilia nortearam a concepção do espaço, a ideia era criar um local de trabalho moderno, mas com luz natural e ar fresco. Para tanto, as paredes foram revestidas com extensos panos de vidro com frita cerâmica refletora de calor. O edifício também incorporou sistemas para captação de água e sua reutilização, e telhados verdes. Um dos maiores diferenciais do One Bryant Park é que ele funciona como um grande filtro de ar, aplicando na prática os ideais da sustentabilidade cíclica: o prédio filtra o ar entregue aos escritórios, limpando 95% das impurezas, e devolve esse ar mais limpo para Nova Iorque.

JK 1455 – Triple A

Traços da arquitetura clássica se misturam com a moderna fachada espelhada do JK 1455, em São Paulo. O imponente prédio, localizado na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, em Pinheiros, foi o primeiro edifício brasileiro a conquistar a certificação LEED ouro, em novembro de 2012. Para alcançar o título, foram necessários dois anos de reformas até que a estrutura se adequasse às exigências do LEED EB O&M e pudesse ser considerada sustentável. Sob a administração da Cyrela Commercial Properties, diversas técnicas foram aplicadas para diminuir o impacto ambiental do espaço, entre elas estavam soluções para a redução do consumo de energia elétrica e para o melhor uso da água, que passou a ser reaproveitada nos banheiros. Mudanças na estratégia de limpeza, diminuindo o uso de produtos químicos, e um programa educacional voltado para divulgar as práticas, também fizeram parte do plano de ações desenvolvido.

 

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